União Europeia prepara tarifas de retaliação duras para forçar Trump a um acordo comercial melhor

24 jun 2025, 18:31
Trump von der Leyen
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Informação é avançada pelo “Financial Times”, que refere que o chanceler alemão apoia uma abordagem mais musculada para as negociações, que terminam em julho

A União Europeia deve fazer uma “ameaça credível” de retaliação na guerra comercial com Donald Trump – isto se quiser um bom acordo, antes de as negociações chegarem ao fim. O alerta vem de um alto responsável europeu.

Segundo o “Financial Times”, o chefe de gabinete da presidente da Comissão Europeia, Bjoern Seibert, disse na semana passada aos embaixadores do bloco comunitário que a perspetiva de uma resposta forte ajudaria a convencer o presidente norte-americano a reduzir as tarifas rígidas que quer impor à União Europeia.

Seibert disse aos embaixadores que Ursula von der Leyen estava preparada para aumentar a pressão, de modo a obter um acordo melhor. Este alto funcionário pediu o apoio dos embaixadores a um pacote de tarifas sobre os produtos americanos avaliado em 95 mil milhões de euros. Outra das garantias deixadas é de que a comissão estava a preparar também medidas contra os serviços, incluindo impostos sobre as empresas tecnológicas americanas e barreiras no seu acesso a contratos públicos.

Da Alemanha, sinais na mesma direção

Também o chanceler alemão Friedrich Merz já veio assinalar que o seu governo apoiaria uma abordagem mais musculada para as negociações. “Estamos a postos para todas as opções se não houver acordo. Podemos e iremos defender os nossos interesses”, afirmou ao Bundestag esta

German Chancellor Friedrich Merz signalled that his government would back a more muscular approach. “We’re ready to use a variety of options if there is no deal. We can and we will defend our interests,” he told the Bundestag on Tuesday.

abordagem. "Estamos prontos para utilizar uma variedade de opções se não houver acordo. Podemos e iremos defender os nossos interesses", disse ao Bundestag na terça-feira.

Trump ameaçou impor uma tarifa "recíproca" de 50% à União Europeia se não houver qualquer avanço nas negociações comerciais até 9 de julho. Além disso, procura repatriar a indústria americano, de modo a reduzir o défice comercial anual de 198 mil milhões de euros que os EUA têm com o bloco europeu.

Trump e Merz na Casa Branca (Evan Vucci/AP)

Reino Unido é único que já tem acordo

Na semana passada, o Reino Unido fechou o seu acordo com os EUA, que é ainda o único assinado. Londres concordou com tarifas de 10%, e com algumas quotas tarifárias reduzidas sobre automóveis e sobre o aço. Facilitou ainda o acesso ao mercado de etanol e carne de bovino dos EUA.

Por sua vez, no seio da União Europeia, os estados-membros já apoiaram a aplicação de tarifas até 50% sobre os produtos norte-americanos, com um custo de 21 mil milhões de euros. Contudo, Bruxelas adiou a aplicação para 14 de julho, para dar tempo às negociações.

Este pacote foi alvo de ajustes face ao plano inicial, uma vez que França, Itália e outros países produtores de álcool se queixaram de que atingir o whisky e o vinho norte-americano poderia resultado numa retaliação com impostos de até 200%. Portugal, neste âmbito, também seria prejudicado.

Em privado, os negociadores comunitários já admitiram que não deverão conseguir que Trump suspensa a tarifa básica de 10% que impôs sobre todas as importações. Por isso, o foco está em reduzir os impostos adicionais sobre os automóveis e o aço, sobre os semicondutores e sobre os produtos farmacêuticos.

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