"O mundo esqueceu-se destas crianças". Bebés morrem de frio em campos de refugiados na Síria

2 fev, 15:15

Milhões de pessoas que vivem em tendas estão a ser duramente afetadas pelas tempestades de neve, chuva e vento

Duas bebés, de sete dias e de dois meses, morreram de frio esta terça-feira devido à tempestade de neve que atingiu a Síria nos últimos dias.

De acordo com informação avançada pela AFP, que cita fonte da Organização das Nações Unidas (ONU), as meninas viviam com as suas famílias em dois campos para refugiados na província de Idlib e acabaram por não resistir às temperaturas negativas que se fazem sentir no noroeste do país, fortemente afetado pelos nevões.

Segundo o Observatório sírio dos Direitos Humanos, outro bebé, com cerca de um mês, também terá morrido num acampamento em Jarablus, na província de Aleppo, a 23 de janeiro. Outro caso foi relatado a dia 18 do mesmo mês, em Qastal Miqdad, quando a intensidade da neve fez desabar a estrutura da tenda de uma família. 

Na verdade, há quase três milhões de pessoas (cerca de 2,8 milhões) que vivem nestes campos após se verem obrigadas a abandonar as suas casas durante a guerra civil que o país atravessa há uma década.

O problema é que as baixas temperaturas expõem ainda mais os problemas dessa fatia da população, que vive em tendas muitas vezes sem isolamento, sem roupas próprias para o inverno, ou qualquer tipo de equipamento de aquecimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A ONU já veio, aliás, alertar para o facto da situação estar a piorar devido à crise económica no país, que levou ao aumento dos preços de alguns alimentos, tendo alguns duplicado no último ano.

A mesma entidade esclarece que há pelo menos 287 campos de refugiados em Idlib e Aleppo fortemente afetados pelos nevões, chuva e vento forte que atingiram as regiões principalmente no final do mês de janeiro. A neve terá destruído 935 tendas e danificado mais de nove mil. 

A diretora da organização não-governamental "Save the Children" na Síria, Sonia Khush, disse ser "incompreensível que qualquer criança enfrente o inverno com medo pela vida".

"Quase 11 anos após o início da crise na Síria, parece que o mundo se esqueceu das crianças no noroeste do país", continuou Sonia Khush, rematando que todas as mortes teriam sido evitáveis e que espelham o apoio humanitário urgente que falta a estas famílias e crianças.

Mark Cutts, da ONU, fez uma reportagem junto destas famílias, revelando as condições precárias em que (sobre)vivem.

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