Bárbara procurava estabilidade de vida. José quer servir o país. São dois dos 55 novos guardas prisionais
Muitos dos formandos chegam com uma ideia errada do que é a profissão, em grande parte influenciados pelo que veem na televisão e nos filmes
Há portas que se abrem para uma profissão. Dentro delas há quem esteja privado de liberdade. A cumprir penas de cadeia. Falamos dos guardas prisionais que todos os dias garantem que entre os muros dos estabelecimentos prisionais tudo corre com a maior segurança. “O sistema prisional é um grande desconhecido. A sociedade em geral não tem conhecimento aprofundado do que se passa dentro de uma prisão na realidade”, garante Paulo Borges Pereira, chefe principal e coordenador operacional do curso para guardas prisionais.
Muitos dos formandos chegam à Divisão de Formação, em Caxias, com uma ideia errada do que é a profissão. “Há muita ansiedade, vêm muito influenciados por aquilo que veem na televisão, nos filmes […] criam uma imagem que nem sempre corresponde à realidade”, explica Paulo.
Muitos dos candidatos têm conhecimento do concurso para guardas prisionais através das redes sociais. Depois de vários testes só os melhores chegam à fase do curso. Este ano são 55 formandos, divididos entre Lisboa (com 35) e Porto (com 20).
Bárbara Freire, de 27 anos, deixou Coimbra para abraçar uma profissão que segundo a própria traz estabilidade financeira e pela estabilidade pessoal”. Já José Raposo, de 28 anos, viajou de São Miguel, nos Açores, com o objetivo de conseguir uma profissão que lhe traga “um desafio constante” e lhe proporcione “servir o país”.
O curso tem a duração de nove meses, divididos em cinco de matéria teórica e quatro práticos em contexto real. Bárbara e as colegas estão alocadas em Tires, onde estão em média 460 reclusas. José tem no estabelecimento prisional da Carregueira, com cerca de 900 reclusos, uma verdadeira escola.
A CNN Portugal acompanhou, em exclusivo, as rotinas destes dois jovens dentro das cadeias, na última semana de formação antes de se tornarem oficialmente guardas prisionais. Bárbara e José são um exemplo claro que a profissão mudou e está cada fez mais equiparada no que diz respeito ao género dos guardas. “Cada vez mais verificamos que candidatas do género feminino se candidatam e temos cada vez mais um equilíbrio. Ainda não é paritário mas caminhamos nesse sentido”, aponta Jorge Monteiro, diretor da Divisão de Formação da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.
