REVISTA DE IMPRENSA || MAL recrutava especialmente membros com treino militar ou pertencentes a forças de segurança, criando células em vários pontos do país
Pela primeira vez, a justiça portuguesa aplicou a lei do terrorismo a um grupo de ideologia neonazi. Segundo o Público, quatro dos seis detidos no desmantelamento da milícia Movimento Armilar Lusitano (MAL) estão indiciados por terrorismo, incluindo um agente da PSP.
O grupo, de extrema-direita e com discurso anti-imigração, operava como milícia armada e entre o material apreendido estavam armas de fogo, explosivos e armas feitas em impressoras 3D. Os outros dois detidos são suspeitos de crimes relacionados com armas proibidas.
Esta é a primeira vez que o crime de terrorismo é imputado a um grupo neonazi em Portugal, numa lei até agora usada contra elementos da ETA e do Estado Islâmico. O MAL recrutava especialmente membros com treino militar ou pertencentes a forças de segurança, criando células em vários pontos do país.
As autoridades sublinham a sofisticação do armamento e o perigo da radicalização de jovens. O caso expôs falhas no combate à extrema-direita violenta, num momento em que cresce a preocupação com a infiltração ideológica em sectores sensíveis do Estado.
Candidatos a milícia neonazi tinham de provar radicalismo a chefe da PSP
Por sua vez, o Jornal de Notícias avanças que centenas de candidatos ao MAL foram submetidos a um processo de seleção rigoroso para integrar a milícia armada neonazi que planeava derrubar o regime democrático português. O grupo exigia que todos os candidatos preenchessem boletins detalhados com dados pessoais e militares, respondessem a questionários online e comparecessem a entrevistas presenciais.
As entrevistas eram conduzidas pelo próprio chefe da PSP, agora detido, responsável por avaliar o grau de radicalização dos candidatos.
Aqueles que superavam todas as fases eram integrados em grupos fechados de Telegram e distribuídos por “bolsas de resistência” espalhadas pelo país.
