Exclusivo. Insultos ao profeta Maomé visavam gerar reação de imigrantes para ataque com milícias armadas e treinadas 

21 jan, 20:41

Além da mensagem "Maomé é pedófilo", Mário Machado idealizou outra provocação à comunidade islâmica para as comemorações do próximo dia 10 de Junho, para gerar um conflito violento: exibir "uma bandeira gigante do profeta Maomé, com o turbante e com uma bomba"

Gil Costa assumiu a gestão do grupo 1143 com a prisão de Mário Machado, mas este continuava a ser o verdadeiro líder neonazi – chamando o primeiro às visitas, em Alcoentre, para lhe passar instruções. E foi de uma dessas, em novembro passado, que saiu da cadeia a decisão, já para fevereiro, de difundirem nas redes sociais um vídeo com a mensagem “Maomé é pedófilo”, para provocar reações de violência da comunidade islâmica em Portugal. A isso, os 37 elementos de extrema-direita agora detidos reagiriam com milícias armadas, que treinaram em várias ações durante meses.

Em maio passado, apuraram a TVI e a CNN Portugal, os líderes neonazis organizaram um encontro na Quinta do Anjo, em Palmela, para “treino de combate” com armas de airsoft. De resto, o grupo levou a cabo outras ações de treino destinadas à preparação de uma milícia. 

Em Palmela, dezenas de elementos vestiram-se de preto, com a inscrição “Grupo 1143” e os rostos cobertos por máscaras. Organizaram-se em formação e marcharam com estandartes e escudos antimotim – iguais aos das polícias de intervenção. Estas ações foram divulgadas na rede social X e gravadas em vídeos, agora apreendidos e que servem de prova no processo do DIAP de Lisboa com a PJ.

Além da mensagem “Maomé é pedófilo”, Mário Machado idealizou outra provocação à comunidade islâmica para as comemorações do próximo dia 10 de Junho, para gerar um conflito violento: exibir “uma bandeira gigante do profeta Maomé, com o turbante e com uma bomba”.

Mário Machado idealizou o renascimento do Grupo 1143, que foi enfraquecido com a prisão dos líderes ao logo dos anos, nomeadamente ele próprio. Essa ideia, segundo a investigação, coincidiu com um ataque terrorista em 2023, em Bruxelas, num jogo de futebol de classificação para o Euro 2024 entre as seleções da Bélgica e da Suécia. Os ideais do Grupo 1143 assentam no exaltar da superioridade da raça branca, apelando à expulsão e ao impedir da entrada em Portugal de todas as minorias étnicas, nomeadamente de imigrantes oriundos do Brasil, África e do Indostão.

A expansão do grupo assentou nas redes sociais – começou na rede X e passou para contas no Telegram, com a criação de grupos privados. Criaram uma loja virtual para venda de produtos de merchandising; e a cúpula do grupo, com vista ao financiamento do mesmo, passou a assentar em Mário Machado e mais três elementos. Apelidaram-se de “os quatro mosqueteiros” e definiram tarefas para cada um deles.

Criaram toda uma hierarquia abaixo deles, com líderes e estruturas regionais. Abriram contas bancárias para as receitas do merchandising e para donativos – milhares de euros entregues por todos para a causa, que agora sofreu um rude golpe com a detenção de 37 dos seus elementos.

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