"Não há factos que apontem para planos agressivos da Rússia e da China para a Gronelândia, nem pode haver". Moscovo desmente Trump sobre plano para tomar a ilha do Ártico

15 jan, 16:40
Gronelândia (AP)

Para o Kremlin, o momento atual "mostra, de forma particularmente evidente, a incoerência" daquilo que chamou a "ordem mundial baseada em regras" que o Ocidente diz estar a construir. "Provem do que cozinharam, só não se engasguem"

A Rússia afirmou esta quinta-feira que é “inaceitável” que o Ocidente continue a sustentar que Rússia e China representam uma ameaça à Gronelândia, defendendo que a tensão em torno da região ártica evidencia aquilo que descreve como “duplos critérios” das potências ocidentais, que se apresentam como detentoras de superioridade moral.

“Começaram por inventar a ideia de que existiam agressores e, a partir daí, apresentaram-se como os que estão prontos a proteger alguém desses agressores”, afirmou Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, sem se referir diretamente ao presidente dos Estados Unidos, que apontou diretamente o dedo à Rússia e à China.

Maria Zakharova sublinhou que “nem a Rússia nem a China” anunciaram qualquer intenção desse género e insistiu que não existe qualquer elemento factual que suporte a tese de que os dois países ameaçam a Gronelândia.

Confrontada pela Reuters com a pergunta direta sobre se a Rússia tem ambições no território, a responsável visou então o presidente dos Estados Unidos: “Porque não perguntam ao Trump?”. “Não há factos que apontem para planos agressivos da Rússia e da China, nem pode haver”, acrescentou.

Na segunda-feira, a China apelou aos Estados Unidos para que não usem outros países como justificação para prosseguirem os seus próprios interesses e afirmou que a presença chinesa no Ártico tem como objetivo promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável na região.

Para Maria Zakharova, o momento atual “mostra, de forma particularmente evidente, a incoerência” daquilo que chamou a “ordem mundial baseada em regras” que o Ocidente diz estar a construir. “Provem do que cozinharam, só não se engasguem”, concluiu, com sarcasmo. 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem reiterado que Washington vai “ficar” com a Gronelândia, argumentando que, se os EUA não avançarem, Rússia e China irão fazê-lo, e que os norte-americanos não querem esses países como “vizinhos”.

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