Trump garante que "o mundo precisa" que os EUA anexem a Gronelândia, "incluindo a Dinamarca", que não acha o mesmo

27 mar, 12:36
Manifestantes marcham em frente ao consulado dos EUA em Nuuk, na Gronelândia, a 15 de março de 2025. Christian Klindt Soelbeck/AP

Os Estados Unidos da América querem a Gronelândia a qualquer custo – e Donald Trump não esconde isso. O presidente norte-americano voltou a insistir na anexação do território ártico, garantindo que "vai até onde for preciso" para garantir o seu controlo. Do outro lado não se cede à pressão e há um aviso: a ilha "não está à venda" e Washington, DC "não nos vai intimidar"

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, acusou os Estados Unidos da América de exercerem uma "pressão inaceitável" sobre a Gronelândia, em resposta às recentes declarações de Donald Trump, que voltou a insistir na intenção de anexar o território ártico.

Desde que tomou posse, a 20 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos tem feito repetidos - e por vezes agressivos - comentários sobre apoderar-se da Gronelândia, pela força, se necessário, algo que tem irritado Copenhaga. 

O presidente norte-americano afirmou, em declarações aos jornalista a partir da Casa Branca esta quarta-feira, que os EUA "vão até onde for preciso" para controlar a Gronelândia, alegando que a anexação da ilha, estrategicamente geolocalizada, é fundamental para garantir a segurança internacional. 

"Precisamos da Gronelândia e o mundo precisa que tenhamos a Gronelândia, incluindo a Dinamarca”, sublinhou Trump, numa clara divergência em relação às palavras da primeira-ministra dinamarquesa.

Mette Frederiksen reafirmou que a Gronelândia "não está à venda" e que a decisão sobre o seu futuro cabe exclusivamente ao povo do território, que tem estatuto de autonomia dentro do Reino da Dinamarca.

"Os EUA sabem que a Gronelândia não quer fazer parte dos Estados Unidos da América. Isto foi-lhes comunicado, tanto diretamente como em público. Devo dizer que esta é uma pressão inaceitável sobre a Gronelândia e a Dinamarca. E é uma pressão à qual resistiremos. Não vamos ser intimidados pelo presidente Trump", afirmou Mette Frederiksen.

Nenhum partido gronelandês apoia a anexação por Washington, DC e as sondagens de opinião indicam que a população de cerca de 57 mil habitantes é esmagadoramente contra a ideia.

O ministro dinamarquês da Defesa, Troels Lund Poulsen, também condenou as declarações de Trump, classificando-as como "muito fortes" e "inadequadas para um presidente".

Nos últimos dias, a tensão intensificou-se com vários manifestantes contra os EUA a realizarem algumas das maiores manifestações já registadas no território. Frederiksen elogiou os gronelandeses por se manterem firmes: "A atenção é esmagadora e a pressão é grande, mas é em momentos como este que mostramos do que somos feitos. Não nos deixamos intimidar. Os gronelandeses defenderam quem são e mostraram o que defendem. Isso merece o meu mais profundo respeito", afirmou a primeira-ministra dinamarquesa. 

A administração norte-americana tinha anunciado uma visita oficial a Nuuk, capital da Gronelândia, incluindo a presença do vice-presidente, JD Vance, bem como da segunda-dama, Usha Vance, que participaria numa corrida de trenós puxados por cães. No entanto, após fortes reações negativas por parte de autoridades dinamarquesas e gronelandesas, todas as participações em eventos culturais foram canceladas.

"O atual executivo é um governo cessante da Gronelândia, aguardando a formação de uma nova coligação governamental, e pedimos a todos os países que respeitem este processo. Não enviámos convites para visitas, sejam privadas ou oficiais", esclareceu a administração gronelandesa.

Apesar do mal-estar diplomático, JD Vance deverá visitar esta semana a base militar dos EUA em Pituffik, no norte da Gronelândia. O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Brian Hughes, garantiu que a delegação norte-americana tem apenas como objetivo "aprender sobre a Gronelândia, sua cultura, história e pessoas".

E.U.A.

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