Discurso de Von der Leyen marcou a manhã em Davos. Enquanto isso, Donald Trump insiste que "a Gronelândia é imperativa para a segurança nacional e mundial”. "Não pode haver retrocesso", diz. E o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia sublinha: a Gronelândia não é "uma parte natural" da Dinamarca
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou um forte apoio à Gronelândia e à Dinamarca, afirmando que "a soberania e a integridade dos seus territórios não são negociáveis”. No Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, a responsável máxima dos 27 revelou ainda que a Europa está a preparar medidas de apoio à segurança do Ártico.
"Estamos a trabalhar num grande aumento do investimento europeu na Gronelândia. Trabalharemos de mãos dadas com a Gronelândia e a Dinamarca para ver como podemos apoiar ainda mais a economia e as infraestruturas locais“, afirmou, acrescentando que ”trabalharemos com os EUA e com todos os parceiros na segurança mais alargada do Ártico".
“Quando se trata da segurança da região do Ártico, a Europa está totalmente empenhada e partilhamos os objetivos dos Estados Unidos a este respeito”, disse. "A Europa partilha o objetivo dos EUA de proteger a região, mas afirma que o bloco tem as capacidades necessárias e que a segurança “só pode ser alcançada em conjunto”.
Von der Leyen deu o exemplo da venda de quebra-gelos da Finlândia aos Estados Unidos, o que mostra que “os nossos membros do norte da NATO têm forças prontas para o Ártico” e que “a segurança do Ártico só pode ser alcançada em conjunto”.
Referindo-se às tarifas ameaçadas pelo presidente Donald Trump por causa da Gronelândia, continuou: “É por isso que as tarifas adicionais propostas são um erro, especialmente entre aliados de longa data. A UE e os EUA chegaram a um acordo comercial em julho passado. E em política, como nos negócios, um acordo é um acordo. E quando amigos apertam as mãos, isso deve significar alguma coisa."
“Consideramos o povo dos Estados Unidos não só nosso aliado, mas também nosso amigo, e mergulhar-nos numa espiral descendente só ajudaria a mostrar os adversários que ambos estamos tão empenhados em manter fora da paisagem estratégica”, afirmou.
A resposta da Europa à ameaça que a Gronelândia enfrenta será “inabalável, unida e proporcional”, reiterou.
Em Davos, Von der Leyen garante que a UE irá trabalhar “de mãos dadas” com a Dinamarca e com a Gronelândia sobre a melhor forma de apoiar a economia e as infraestruturas locais. A UE irá também trabalhar com os EUA e todos os parceiros na “segurança mais alargada do Ártico”, acrescentando que se trata do “nosso interesse comum”. A UE está a trabalhar numa “onda de investimento europeu maciço na Gronelândia”.
A presidente da comissão considera que a “segurança comum” entre os parceiros da UE - incluindo o Canadá, a Noruega e o Reino Unido - é importante.
"Por último, penso que a Europa tem de se adaptar à nova arquitetura de segurança e às novas realidades que enfrentamos atualmente. É por isso que a Europa está a preparar a sua própria estratégia de segurança, que tencionamos publicar ainda este ano. E, dentro disto, estamos a atualizar a nossa estratégia para o Ártico. E no centro desta estratégia estará o princípio fundamental: cabe aos povos soberanos decidir o seu próprio futuro".
A segurança no Extremo Norte “não era o tema principal” quando começou a trabalhar neste discurso, explica, mas mostra como muita coisa pode mudar num curto espaço de tempo e porque é que a Europa precisa de lutar pela sua independência para poder responder em conformidade.
"A questão é que o mundo muda permanentemente. Temos de mudar com ele", concluiu.
Trump: "A Gronelândia é imperativa para a segurança nacional e mundial”. "Não pode haver retrocesso"
Esta manhã, Donald Trump partilhou várias publicações sobre a Gronelândia na Truth Social. Além de ter partilhado a mensagem enviada pelo preisdente francês, Emmanuel Macron, o líder norte-americano revelou que teve uma conversa telefónica “muito boa” com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, sobre a Gronelândia e partilhou uma mensagem de Mark Rutte, secretário-geral da NATO, na qual ele felicita o presidente americano pela sua atuação "incrível" na Síria e diz que espera chegar a acordo sobre a Gronelândia.
No entanto, Trump conclui: “Como expressei a todos, muito claramente, a Gronelândia é imperativa para a segurança nacional e mundial”. "Não pode haver retrocesso - nisso, todos concordam!".
Donald Trump também tem vindo a publicar uma série de imagens adulteradas ou criadas com IA. Uma das imagens é uma versão editada de uma imagem tirada em agosto de 2025, quando os líderes europeus visitaram Washington para o telefonema do presidente dos EUA com Vladimir Putin. Na imagem publicada no Truth Social, o quadro de apresentação foi alterado de modo a que uma bandeira dos EUA cubra a América do Norte, o Canadá e a Gronelândia. A imagem original mostrava a linha da frente do conflito na Ucrânia.
Outra imagem publicada hoje por Trump na sua conta das redes sociais é uma ilustração que mostra o Presidente dos EUA a colocar a bandeira americana na Gronelândia, ladeado pelo Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e pelo Vice-Presidente, JD Vance. No primeiro plano da ilustração, há uma placa que diz "Gronelândia: Território dos EUA, est. 2026."
Lavrov: a Gronelândia não é "uma parte natural" da Dinamarca
Esta manhã, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, afirmou que a Gronelândia não é “uma parte natural” da Dinamarca. Numa conferência na Rússia, de balanço do ano diplomático, Lavrov falou de “tendências de crise” no Ocidente, sendo a Gronelândia o mais recente exemplo disso, uma vez que está a causar tensões sem precedentes mesmo no seio da NATO.
Lavrov afirmou que a Rússia está a acompanhar a “grave situação geopolítica” em torno da Gronelândia. Embora tenha insistido que a Rússia não está interessada em interferir nos assuntos da Gronelândia e que Washington sabe que a Rússia não tem planos para capturar a Gronelândia, disse que, na sua opinião, a Gronelândia não é uma parte natural da Dinamarca, segundo a Reuters.
“Anteriormente, era difícil imaginar que as discussões em torno da Gronelândia levariam à questão da manutenção da unidade da NATO”, disse aos jornalistas na capital russa. “As tendências de crise estão a surgir na própria sociedade ocidental”, disse Lavrov. “A Gronelândia é um exemplo claro que está na boca de toda a gente e em torno do qual se estão a desenvolver discussões que antes era difícil imaginar que pudessem acontecer, incluindo as perspectivas de continuação da existência da NATO como um bloco político-militar ocidental unificado.”
Falando em termos mais gerais, Lavrov também avisou que era “improvável” que a Rússia conseguisse chegar a acordos com o atual grupo de líderes na Europa.