EUA estudam "solução Porto Rico" e arrendamento centenário para a Gronelândia

19 jan, 11:39
Donald Trump (MANDEL NGAN/AFP via Getty Images)

As ameaças de tarifas, um arrendamento secular e direitos especiais para os gronelandeses vão fazer com que todos os caminhos, durante esta semana, vão dar ao Fórum Económico Mundial, que tem lugar na Suíça

O Fórum Económico Mundial desta semana, em Davos, na Suíça, tem vários ingredientes para se tornar num dos encontros entre líderes mundiais mais explosivo das últimas décadas. O rastilho não deverá ser a Ucrânia ou Gaza, mas sim a “obsessão pela Gronelândia” de Donald Trump, que prepara várias jogadas, segundo noticia o jornal ucraniano Kyiv Post.

O jornal cita duas fontes próximas do tema que, sob anonimato, asseguram que Trump preparou uma equipa com diversas soluções sobre a Gronelândia para serem apresentadas aos aliados europeus em Davos.

A manobra norte-americana surge num momento em que a União Europeia já pondera anunciar tarifas retaliatórias, sanções e até mesmo uma solução económica nuclear que os líderes europeus entendem como sendo uma tentativa de coagir Trump a esquecer a ilha dinamarquesa.

O alto funcionário ocidental ouvido pelo Kyiv Post resume o que está em cima da mesa: “Esta é a rutura transatlântica mais grave a que já assistimos desde a guerra do Iraque. E está a acontecer numa ilha que a maioria dos europeus considerava ser inacessível para sempre.”

O plano de Trump

O presidente dos EUA já rejeitou publicamente a ideia de arrendar a Gronelândia, mas em privado estará mais flexível sobre a possibilidade.

As fontes ouvidas pelo Kyiv Post indicam que Trump pode estar disposto a aceitar um arrendamento de território de 99 anos. A solução alternativa teria como objetivo amenizar as tensões e indignação na Europa, mantendo e simultaneamente dar o controlo da ilha do Ártico rica em recursos aos EUA.

Outra das opções para Davos é a hipótese de oferecer aos gronelandeses direitos em tudo semelhantes aos que têm os nacionais de Porto Rico.

Neste contexto, os habitantes da ilha dinamarquesa teriam de se tornar cidadãos norte-americanos com pleno acesso bilateral e privilégios comerciais.

Os contribuintes gronelandeses ficariam assim isentos de todos os impostos, a não ser que se mudassem para os EUA. Esta é uma proposta que poderia ser apresentada como um pacote de prosperidade para os quase 56 mil habitantes da ilha.

Em Davos, terão lugar novas rondas negociais entre Ucrânia e EUA, mas o ponto mais quente é mesmo a questão da Gronelândia.

“Davos vai ser o momento da verdade”, explica uma das fontes ouvidas pelo Kyiv Post, que considera que o Fórum Económico Mundial “ou vai desescalar as tensões através de compromissos, ou vai provocar uma crise comercial e securitária transatlântica”.

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