Notícia avançada pelo Wall Street Journal ainda não mereceu reação oficial da secretaria de Estado dos EUA. Casa Branca diz que recurso às forças armadas "é sempre uma opção"
É só retórica. Pelo menos é o que garante Marco Rubio, o secretário de Estado norte-americano, que em declarações a congressistas na segunda-feira à noite disse que a tomada militar da Gronelândia – à semelhança do que foi feito com a Venezuela no passado sábado – não é uma verdadeira opção, serve apenas para exercer pressão sobre a liderança da região e o reino da Dinamarca.
A notícia foi avançada esta quarta-feira em exclusivo pelo Wall Street Journal, que indica que os comentários foram feitos durante uma reunião entre Rubio, altos funcionários do governo, incluindo o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o general Dan Caine, e a liderança do Congresso, sobre a operação para capturar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e os planos da administração para esse país.
De acordo com as fontes ouvidas pelo jornal, as observações de Rubio sobre a Gronelândia surgiram em resposta a uma questão colocada pelo líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, sobre se o governo Trump planeia usar a força militar noutros lugares, incluindo o México e a Gronelândia. Não é certo se Rubio se limitou a acalmar as preocupações dos legisladores.
As declarações do chefe da diplomacia dos EUA surgem num momento em que a administração Trump tem proferido ameaças e avisos cada vez mais beligerantes sobre o controlo da região, com o governo americano a sinalizar há muito que pretende persuadir a Dinamarca a entregar o controlo daquela que é a maior ilha do mundo, com uma localização estratégica no Ártico e importantes recursos naturais por explorar.
O senador Lindsey Graham, fiel aliado de Trump no Congresso, disse na segunda-feira à noite que o que a administração está a fazer em relação à Gronelândia "tem tudo a ver com negociações", na prática alinhando com a versão de Rubio. "Temos de ter o controlo legal e as proteções legais para justificar a construção do local e colocar o nosso pessoal no terreno", disse o republicano. Os EUA já têm uma importante base militar instalada na ilha e os tratados e acordos em vigor com a Dinamarca e a Gronelândia já permitem a movimentação de pessoal militar norte-americano no terreno.
Quer as autoridades americanas quer as europeias contactadas pelo WSJ dizem não ter visto sinais de que a Casa Branca esteja a preparar uma invasão militar da Gronelândia por ora. Contudo, na terça à noite, a Casa Branca disse que está a debater várias opções para adquirir o território semiautónomo da Dinamarca, e que a via militar “é sempre uma opção”. Quer o presidente Donald Trump quer outros altos funcionários da administração têm-se recusado publicamente a descartar a possibilidade de tomar a região estratégica à força.
“O presidente Trump deixou bem claro que a aquisição da Gronelândia é uma prioridade de segurança nacional dos Estados Unidos e que é vital para dissuadir os nossos adversários a região do Ártico”, afirmou em comunicado Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, quando questionada sobre o assunto. “O presidente e a sua equipa estão a discutir uma série de opções para alcançar este importante objetivo de política externa e, claro, a utilização das forças armadas dos EUA é sempre uma opção à disposição do comandante-chefe.”
Contactado pelo Wall Street Journal, o Departamento de Estado não respondeu ao pedido de comentário sobre as alegadas declarações de Rubio aos legisladores. Trump já tinha discutido a hipótese de comprar a Gronelândia durante o seu primeiro mandato, reforçando essa retórica logo no arranque da sua segunda administração, há um ano. Uma invasão norte-americana da região constituiria um ato inédito de ataque à soberania de um Estado da NATO por outro.
Na terça-feira, um conjunto de países europeus que pertencem à aliança atlântica emitiram uma declaração a defender a Gronelândia e a Dinamarca e a avisar que um ataque americano corresponderia efetivamente ao fim da NATO.