Invadir a Gronelândia? Rubio desmente Casa Branca sobre tomada militar ser uma opção

CNN Portugal , JAV
7 jan, 10:30
Marco Rubio (CNN)

Notícia avançada pelo Wall Street Journal ainda não mereceu reação oficial da secretaria de Estado dos EUA. Casa Branca diz que recurso às forças armadas "é sempre uma opção"

É só retórica. Pelo menos é o que garante Marco Rubio, o secretário de Estado norte-americano, que em declarações a congressistas na segunda-feira à noite disse que a tomada militar da Gronelândia – à semelhança do que foi feito com a Venezuela no passado sábado – não é uma verdadeira opção, serve apenas para exercer pressão sobre a liderança da região e o reino da Dinamarca.

A notícia foi avançada esta quarta-feira em exclusivo pelo Wall Street Journal, que indica que os comentários foram feitos durante uma reunião entre Rubio, altos funcionários do governo, incluindo o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o general Dan Caine, e a liderança do Congresso, sobre a operação para capturar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e os planos da administração para esse país.

De acordo com as fontes ouvidas pelo jornal, as observações de Rubio sobre a Gronelândia surgiram em resposta a uma questão colocada pelo líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, sobre se o governo Trump planeia usar a força militar noutros lugares, incluindo o México e a Gronelândia. Não é certo se Rubio se limitou a acalmar as preocupações dos legisladores.

As declarações do chefe da diplomacia dos EUA surgem num momento em que a administração Trump tem proferido ameaças e avisos cada vez mais beligerantes sobre o controlo da região, com o governo americano a sinalizar há muito que pretende persuadir a Dinamarca a entregar o controlo daquela que é a maior ilha do mundo, com uma localização estratégica no Ártico e importantes recursos naturais por explorar.

O senador Lindsey Graham, fiel aliado de Trump no Congresso, disse na segunda-feira à noite que o que a administração está a fazer em relação à Gronelândia "tem tudo a ver com negociações", na prática alinhando com a versão de Rubio. "Temos de ter o controlo legal e as proteções legais para justificar a construção do local e colocar o nosso pessoal no terreno", disse o republicano. Os EUA já têm uma importante base militar instalada na ilha e os tratados e acordos em vigor com a Dinamarca e a Gronelândia já permitem a movimentação de pessoal militar norte-americano no terreno.

Quer as autoridades americanas quer as europeias contactadas pelo WSJ dizem não ter visto sinais de que a Casa Branca esteja a preparar uma invasão militar da Gronelândia por ora. Contudo, na terça à noite, a Casa Branca disse que está a debater várias opções para adquirir o território semiautónomo da Dinamarca, e que a via militar “é sempre uma opção”. Quer o presidente Donald Trump quer outros altos funcionários da administração têm-se recusado publicamente a descartar a possibilidade de tomar a região estratégica à força.

“O presidente Trump deixou bem claro que a aquisição da Gronelândia é uma prioridade de segurança nacional dos Estados Unidos e que é vital para dissuadir os nossos adversários a região do Ártico”, afirmou em comunicado Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, quando questionada sobre o assunto. “O presidente e a sua equipa estão a discutir uma série de opções para alcançar este importante objetivo de política externa e, claro, a utilização das forças armadas dos EUA é sempre uma opção à disposição do comandante-chefe.”

Contactado pelo Wall Street Journal, o Departamento de Estado não respondeu ao pedido de comentário sobre as alegadas declarações de Rubio aos legisladores. Trump já tinha discutido a hipótese de comprar a Gronelândia durante o seu primeiro mandato, reforçando essa retórica logo no arranque da sua segunda administração, há um ano. Uma invasão norte-americana da região constituiria um ato inédito de ataque à soberania de um Estado da NATO por outro.

Na terça-feira, um conjunto de países europeus que pertencem à aliança atlântica emitiram uma declaração a defender a Gronelândia e a Dinamarca e a avisar que um ataque americano corresponderia efetivamente ao fim da NATO.

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