Gronelândia: operação militar é improvável mas no parlamento da Dinamarca já se fala em guerra

CNN Portugal , MJC
20 jan, 15:16
Primeiro-ministro da Gronelândia,  Jens-Frederik Nielsen (EPA)

Líderes da Gronelândia e da Dinamarca estão a preparar-se para todas as possibilidades. “Se alguém lançar uma guerra contra nós, devemos responder”, disse Mette Frederiksen

O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, considera improvável uma operação militar contra a ilha, mas diz que o território cobiçado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, deve estar preparado para esse cenário.

“É improvável que a força militar venha a ser utilizada, mas também não está excluído. A outra parte [Trump] disse-o claramente”, afirmou Nielsen, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Também a primeira-ministra da Dinamarca está a preparar o país para todas as possibilidades. Em declarações no parlamento, Mette Frederiksen alertou que deve haver uma resposta caso seja lançada uma guerra contra o país. “Se alguém lançar uma guerra contra nós, devemos responder”, reiterou, numa clara alusão à possibilidade de uma operação militar dos Estados Unidos na Gronelândia.

Em declarações aos deputados dinamarqueses, Mette Frederiksen garantiu que não há escolha senão responder militarmente. “Como Europa, se alguém lançar uma guerra contra nós - o que não recomendo, de todo - claro que devemos responder. Estamos obrigados a fazê-lo”, sublinhou.

O líder do território autónomo da Dinamarca reforçou a importância da união defensiva em declarações durante uma conferência de imprensa em Nuuk, a capital da ilha. “É por isso que temos de estar preparados para todas as possibilidades, mas sublinhe-se: a Gronelândia faz parte da NATO e, se houvesse uma escalada, isso teria também consequências para o resto do mundo”, afirmou.

Nielsen diz que os apelos do presidente norte-americano, Donald Trump, para que os Estados Unidos assumam o controlo do vasto território do Ártico criaram uma situação que “põe em causa a ordem mundial”. “O direito internacional não é um jogo”, disse aos jornalistas. “E se não o fizermos, é claro que as alianças vão cair, e isso seria muito mau”.

Respondendo a uma pergunta anterior em dinamarquês, disse que “é improvável que haja um uso de força militar, mas não pode ser excluído”, de acordo com uma tradução da Reuters. Sublinhou ainda que a Gronelândia estava grata aos seus aliados e à União Europeia “por dizerem constantemente que temos de respeitar a ordem mundial”.

A Gronelândia acolhe uma base militar dos EUA há 75 anos e mantém há muito tempo uma relação económica estreita com o seu aliado da NATO. Nielsen referiu-se a estes laços históricos, dizendo que “podemos fazer muito mais neste contexto”. "Estamos dispostos a cooperar muito mais, mas, claro, com respeito mútuo. E se não conseguirmos ver isso, será muito difícil ter uma parceria boa e fiável".

Relacionados

Europa

Mais Europa