H3N2 subtipo K: o que se sabe sobre a nova estirpe da gripe - sintomas, riscos, conselhos e a agravante

24 nov, 22:48
Gripe vacina vacinação

“Quem ainda não foi vacinado deve fazê-lo imediatamente." Partilhe este guia com a família, com os amigos e com os conhecidos

“Este ano a gripe vai ser um grande desafio”: foi desta forma que a ministra da Saúde alertou, esta segunda-feira, para a circulação de uma nova estirpe de gripe, que pode provocar “uma pressão muito grande” sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Ana Paula Martins afirmou ainda que o inverno “vai ser muito duro”, apesar de existirem planos de contingência e resposta hospitalar já ativados. A preocupação não é exclusiva de Portugal: o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) apelou aos países da União Europeia para acelerarem a vacinação, já que os casos estão a aumentar “de forma invulgar e precoce” devido à emergência de uma nova variante do vírus influenza, a H3N2 subtipo K

Quais os sintomas desta nova estirpe?

Apesar de ser uma variante nova, a manifestação clínica não muda. Febre, tosse, pingo no nariz e dores no corpo são os principais sintomas da nova estirpe. “Neste aspeto é igual às outras”, explica Jaime Nina, infecciologista do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT).

Transmitida por via respiratória “a curta distância, por espirro, ou maior respiração”, a nova variante da gripe continua a ser mais propícia nas crianças, que, segundo Jaime Nina, “têm menos cuidados”.

Também o Centro de Controlo de Doenças avisa que as crianças apresentam taxas de doença mais elevadas por serem, geralmente, as primeiras a adoecer e a transmitir a doença nos seus domicílios, o que pode impulsionar a transmissão na comunidade.

Estima-se que até 20% da população contraia gripe anualmente, o que resulta em ausências escolares e laborais e num “impacto significativo” nos sistemas de saúde, alerta o CDC, sublinhando que o impacto é "maior em ambientes fechados, como instituições de longa permanência".

"Igual" a uma gripe normal, mas com uma agravante

“A novidade está no subtipo K, uma variante dentro da família H3N2”, começa por explicar Jaime Nina. Segundo o especialista, para os doentes a diferença não é percetível no dia a dia, já que “do ponto de vista clínico esta nova estirpe é igual a uma gripe normal, mas do ponto de vista imunológico é um pouco diferente”.

E é precisamente esta diferença imunológica que está a levantar alertas: a variante K não está contemplada na vacina da gripe atualmente em circulação. A razão está no processo de desenvolvimento das vacinas sazonais. “As equipas científicas começam a preparar as novas vacinas no mês de maio, normalmente para começarem a ser distribuídas em setembro, outubro. (…) Nesse mês [maio], acontece aquilo a que os anglo-saxónicos chamam 'educator's guess'. Ou seja, onde se faz uma aposta para o tipo de gripe que pode predominar no inverno”, explica.

Ainda assim, o método é falível e, este ano, a previsão não foi totalmente certeira, com a estirpe que ganhou predominância a acabar por não coincidir exatamente com aquela que foi incorporada na vacina.

A vacina funciona contra esta variante?

Embora não seja totalmente dirigida à nova estirpe, a vacina continua a ser útil e a representar uma grande ajuda para quem quiser evitar males maiores. "A sub-K é nova e, por isso, não existiam vacinas preparadas. Estamos a falar de variações dentro de variações. Ainda assim, as características desta estirpe são semelhantes a outras, pelo que a vacina que está a ser dada e que já incluía um H3N2 não é tão eficaz como se tivesse sido dirigida a esta subestirpe, mas é uma ajuda”, sublinha o infecciologista.

Jaime Nina acredita que "no próximo ano é possível que as vacinas já incluam este subtipo", mas avisa que "não haverá tempo para uma produção acelerada nesta estação".

É importante vacinar agora?

A resposta é clara: sim. Com o aproximar do inverno torna-se fundamental tomar a vacina para evitar agravantes depois de apanhar gripe. Por isso, o especialista em doenças infecciosas considera que quem ainda não foi vacinado deve fazê-lo imediatamente.

“Quem ainda não foi vacinado deve fazê-lo imediatamente. O ideal teria sido entre os meses de setembro ou outubro, mas se não se vacinou nessa altura que se vacine o mais rapidamente possível”, alerta Jaime Nina, sublinhando que "tomar a vacina depois de contrair a gripe já não valerá a pena”.

A vacinação pode ser feita nos centros de saúde ou nas farmácias, que devem estar igualmente preparadas, a menos que estejam sem stock, algo que pode ser natural nesta altura do ano. Para isso existe uma recomendação simples.

“É mais fácil ligar para a farmácia e pedir a disponibilidade para uma marcação”, explica o infecciologista, salientando que, se o utente estiver dentro dos grupos de risco, “os centros de saúde têm a obrigação legal de vacinar todas as pessoas do grupo de risco".

Dentro dos mais vulneráveis encontram-se idosos, pessoas com doenças crónicas - como respiratórias, cardíacas, hepáticas e diabetes - e imunodeprimidos.

Há motivo para alarme?

Embora a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tenha alertado para a circulação da nova variante, Jaime Nina sublinha que não há motivo para alarme, ainda que admita o impacto que pode ter nos serviços de saúde. “A gripe é uma doença relativamente benigna. Em cada mil pessoas que têm gripe, 997 ou 998 não têm nenhuma complicação, mas depois há dois ou três que têm. Quando se multiplica essas pessoas pela percentagem da população que contrai gripe, cerca de 60 a 70%, estamos a falar de milhões de pessoas, o que significa que milhares podem desenvolver complicações", avisa Jaime Nina, acrescentando que, “dessa forma, os nossos serviços de urgência, que já estão entupidos, ficarão ainda mais pressionados”.

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