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Casos de gripe estão a aumentar e é "expectável" que assim continue. Doentes devem estar atentos "ao arrastar de sintomas"

3 jan 2025, 07:00
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Especialistas explicam que a estirpe dominante em Portugal é "a mais habitual que poderíamos ter", ainda assim, alertam para a importância de adotar medidas de mitigação do contágio, até porque "a época gripal dura até fevereiro"

O final de 2024 ficou marcado por uma tendência crescente do número de casos de gripe, mas os alertas estão longe de soar como noutros inverno. A estirpe que até agora se tem mostrado dominante, Influenza B, apesar de facilmente transmissível, tende a ser mais leve e mais moderada na doença que causa, o que faz com que o número de infectados não resulte num aumento de internamentos e óbitos, ao contrário do que aconteceria se em causa estivesse a gripe A.

Gustavo Tato Borges, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, diz à CNN Portugal que a gripe B, apesar de ser “sempre muito transmissível”, “é a estirpe mais comum na Europa no tempo de inverno, é a gripe mais habitual que poderíamos ter todos os anos”, sendo, por isso, “este aumento perfeitamente normal e expectável nesta altura do ano”.

Segundo o mais recente relatório da atividade gripal do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, “foi detetado um maior número de casos de gripe” desde o início da época gripal (na semana 40), e entre 16 a 22 de dezembro foram identificados 377 novos casos positivos para o vírus da gripe, dos quais 333 do tipo B e 44 do tipo A. Em 13 dos casos foi identificado o subtipo A(H1N1)pdm09.

Os sintomas da gripe B, continua o médico de saúde pública, são “semelhantes a todos os outros” de qualquer gripe, incluindo-se “febres baixas, dores musculares, pingo no nariz”. Mal-estar e cansaço, dor de cabeça, dor de garganta, tosse e congestão nasal são outros sintomas comuns. “É a síndrome gripal pura e dura”, vinca, explicando que, no entanto, nenhum sinal de gripe deve ser desvalorizado, sobretudo se se alongar por vários dias. 

“Quem tem doença crónica, seja ela respiratória, cardíaca ou outra, deve estar sempre mais atento ao arrastar de sintomas, como febre acima dos 39 graus Celsius, tosse que não passa e é forte. São sinais de alguma preocupação se se prolongarem durante mais de cinco, sete dias”, adverte Tato Borges, salientando que também “quem não tem uma doença crónica”, sintomas persistentes de “febre, cansaço e tosse podem ser mais preocupantes”. No entanto, tranquiliza, “na maior parte das vezes, os sintomas passam sem problemas maiores”.

Mesmo sendo uma gripe mais leve, o aumento do número de casos não deveria fazer soar os alarmes? Nem por isso, adianta Tato Borges. “Não vemos uma sobrecarga grande nos serviços de saúde que impacte com o trabalho [dos centros de saúde e dos hospitais], apesar da afluência às urgências”, diz. E para evitar que os casos não graves de gripe vão parar às urgências, a Linha SNS 24 tem agora um novo sistema de triagem digital para doentes com sintomas respiratórios agudos. A ideia é melhorar a capacidade de resposta em períodos de maior procura. A nova modalidade é opcional e apenas está disponível para utentes com idade igual ou superior a 18 anos.

A postura das autoridades de saúde face a época gripal está a ser diferente da adotada na época anterior não só por esta estirpe dominante ser a “prevista” e a que está “presente nas vacinas”, como diz Miguel Castanho, investigador no Instituto de Medicina Molecular, mas também porque o potencial pandémico é bem menor.

“A nível funcional, o tipo B causa uma doença que é mais leve e é um vírus mais estável, muda muito menos, logo, o potencial para criar pandemias é muito menor, a hipótese de surpreender com uma transformação do vírus que venha depois afetar o sistema imunitário é muito menor”, explica o investigador.

Também Tato Borges explica que a comunidade médica e científica tende a focar-se mais “na gripe A porque algumas variantes da A podem vir dos animais e poderem causar doença para a qual não temos defesas”.

Sendo a gripe B igualmente transmissível com facilidade, o uso de máscara deve voltar a ser uma rotina? A Direção-Geral de Saúde (DGS) diz que sim, que todas as pessoas com sintomas de infeção respiratória devem usar máscara. E os especialistas também o defendem, alertando que esta é uma das formas mais eficazes de evitar a transmissão do vírus, sobretudo nesta altura do ano em que há vários ajuntamentos e em que as temperaturas tendem a baixar, beneficiando a sobrevivência do vírus. “As pessoas imunocomprometidas, com doenças crónicas ou de idade mais avançada devem optar pela máscara”, aconselha Miguel Castanho.

Já Gustavo Tato Borges apressa-se a dizer que é preciso “relembrar os cuidados que tivemos durante a pandemia” e que devem ser tidos como habituais sempre que há um aumento da circulação de vírus respiratório, “como o distanciamento físico, a lavagem das mãos, o uso da máscara quando temos sintomas respiratórios, e renovar o ar interior, de maneira a retirar uma quantidade de vírus que está a nossa volta”.

E uma vez que “a época gripal dura até fevereiro”, sublinha ainda Tato Borges, a vacinação continua a ser o escudo protetor mais eficaz contra o desenvolvimento de doença grave. Cerca de 2,3 milhões de pessoas já foram vacinadas contra a gripe.

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