Gripe e frio em dezembro provocam mil mortos acima do esperado

28 dez 2025, 23:31

O chamado "excesso de mortalidade" durou 18 dias seguidos e acabou a 24 de Dezembro, mas é cedo para ter a certeza que o país chegou ao pico de óbitos.

Portugal registou 18 dias seguidos com excesso de mortalidade desde o início de dezembro. Ao todo, os números do sistema de vigilância de óbitos da Direção-Geral da Saúde revelam que morreram cerca de 1.100 pessoas acima daquilo que é considerado normal para esta época do ano.

O fenómeno conhecido como "excesso de mortalidade" coincidiu com o surgimento do frio e da epidemia de gripe – que este ano chegou mais cedo e com uma nova variante.

A conjugação dos factores anteriores é destacada por Bernardo Gomes, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, que sublinha que estes costumam fazer subir a mortalidade entre as populações mais vulneráveis, nomeadamente idosos com doenças crónicas.

Em 2025, este é o terceiro período com excesso de mortalidade, após outros dois que se registaram no início do ano e nas semanas mais quentes do verão.

Com 441 óbitos, 23 de dezembro foi o dia com mais mortalidade em 2025, ou seja, 26% de excesso de mortalidade.
Fazendo as contas, os números da Direção-Geral da Saúde consultados pela TVI/CNN Portugal revelam que entre 6 e 23 de dezembro morreram mais 1.094 pessoas do que o esperado para esta época do ano.

Bernardo Gomes explica que após este primeiro impacto da gripe e do frio, que provocou um aumento da mortalidade entre os mais vulneráveis, é normal que os números diminuam ao fim de algumas semanas, sendo por isso de esperar que os dados da DGS revelem que a mortalidade desça e normalize, como se vê pelos números a partir de 24 de dezembro.

Porém, o médico de saúde pública sublinha que é cedo para ter certezas pois é comum que os encontros de Natal entre as famílias agravem a tendência de transmissão da gripe, chegando a novos doentes –  também eles fragilizados e que não foram afetados antes pelo vírus em circulação este ano.

"As consequências de uma infecção gripal em termos de complicações ou sequelas não se manifestam de uma forma inicial", recorda Bernardo Gomes, que diz que vamos ter de esperar mais uns dias para ter a certeza que o pico da mortalidade, em Portugal, terminou mesmo.

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