Green Day deixam músicas mais políticas de fora na estreia no Super Bowl. O Billie Joe Armstrong de 1994 não o faria

CNN , Kyle Feldscher, Alli Rosenbloom e Maureen Chowdhury
9 fev, 09:19
Green Day (AP)

 



Maureen Chowdhury

Os Green Day abriram o Super Bowl LX com vários temas do álbum "American Idiot", mas optaram por omitir algumas das letras mais políticas, numa atuação mais contida do que muitos esperavam

A versão de 1994 de Billie Joe Armstrong nunca o faria.

No domingo, os Green Day abriram o Super Bowl LX no Levi Stadium com uma atuação de várias músicas — mas ficaram de fora algumas das letras mais políticas de certos temas.

A banda começou com uma referência nostálgica ao êxito “Good Riddance (Time Of Your Life)” antes de avançar para “Holiday”, uma das canções mais politizadas do repertório dos Green Day. Os dois primeiros versos foram cantados com a letra habitual, mas quando a banda se aproximou da ponte controversa da música — que começa com a frase “Sieg Heil to the President Gasman”, uma crítica ao antigo presidente George W. Bush, que estava no cargo quando a música foi lançada, em 2004 — a banda saltou essa parte e terminou a canção.

Mais tarde, lançaram-se em “American Idiot”, a faixa-título do mesmo álbum em que “Holiday” foi apresentada. Nos últimos anos, durante as atuações ao vivo, Armstrong tem alterado parte da letra de abertura do segundo verso para “I'm not part of a MAGA agenda”.

Desta vez, no entanto, a banda avançou para uma parte instrumental e um solo de guitarra depois de concluir o primeiro refrão, omitindo completamente esse verso. Antigos MVP do Super Bowl juntaram-se à banda em palco e permaneceram ao lado enquanto Armstrong e os restantes músicos terminavam a atuação. A banda interpretou ainda “Boulevard of Broken Dreams”, do álbum “American Idiot”.

A atuação de sexta-feira, num evento do Spotify e da Fanduel em São Francisco, foi bem diferente da de domingo, quando Armstong incentivou os agentes da imigração e da alfândega a “largarem seus empregos de merda” e cantou todas as letras políticas que faltaram na apresentação de domingo.

Para além do facto de estas canções, com exceção de “Good Riddance”, pertencerem ao álbum mais politizado da banda, “American Idiot”, de 2004, a atuação foi muito menos interventiva do que muitos antecipavam.

O lançamento de “American Idiot” foi um grito de revolta contra a América de Bush e, na altura, consolidou a banda como uma das principais vozes políticas da música popular.

Com o passar do tempo e a evolução da política nos Estados Unidos, Armstrong, o baterista Tré Cool e o baixista Mike Dirnt não abrandaram o tom. A banda tem criticado regularmente a administração Trump durante a recente digressão Saviors, antes da atuação no Super Bowl.

A lendária banda de punk rock formou-se na região de East Bay, na Califórnia, e foi uma peça central da cena musical da área da baía no início da década de 1990, antes de alcançar um enorme sucesso comercial. Desde o início dos anos 90, lançaram 14 álbuns de estúdio, sendo o mais recente “Saviors”, editado em 2024.

“Saviors” marcou um regresso ao posicionamento político dos Green Day, algo que Armstrong disse ter sido feito de forma deliberada.

Em declarações à rádio 102.1 The Edge, afirmou que, com “canções políticas, é preciso muito coração para o fazer, e acho que se se continua a fazê-lo apenas por raiva, acaba-se por retirar-lhe o coração. Passa a ser apenas mais uma queixa entre tantas outras”.

Desta vez, acrescentou, com “Saviors”, “trouxemo-lo de volta e sentimos que era o momento certo”.

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