"Abaixo aos governos assassinos". Polícia grega dispersa 12 mil manifestantes em Atenas

Agência Lusa , BC
5 mar, 13:44
Confrontos entre manifestantes e polícia em frente ao parlamento grego (Foto: Kostas Tsironis/EPA)

Gregos manifestaram-se em Atenas, pedindo responsabilidades ao governo pelo acidente ferroviário que fez 57 mortos

Confrontos violentos ocorreram este domingo entre à polícia e manifestantes em frente ao parlamento em Atenas, durante um protesto contra o Governo após o desastre ferroviário na Grécia que fez 57 mortos.

Manifestantes incendiaram caixotes de lixo e lançaram ‘cocktails molotov’ contra os agentes de segurança, enquanto a polícia respondeu com gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento no centro da capital grega, na descrição da agência noticiosa AFP.

Em poucos minutos, a polícia grega dispersou cerca de 12 mil manifestantes na Praça Syntagma, onde decorreu o protesto para responsabilizar o Governo grego pelo acidente ferroviário de terça-feira à noite.

Milhares de pessoas, que tinham cartazes com frases como "Abaixo aos governos assassinos", responderam aos apelos de estudantes, funcionários das ferrovias e da administração pública para se manifestarem este domingo, numa altura em que está em curso uma greve que afeta os comboios e o metro.

Diante do parlamento, soltaram-se centenas de balões pretos no céu em memória das vítimas do choque frontal entre um comboio de passageiros que viajava de Atenas para Tessalónica, no norte, e um comboio de mercadorias na noite de terça-feira.

Antes, o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, pediu desculpas às famílias das vítimas numa declaração solene.

O chefe da estação de Larissa, a cidade mais próxima do local do acidente, assumiu a responsabilidade pelo desastre.

Apresentado pelos meios de comunicação como inexperiente e no cargo há pouco tempo, o homem de 59 anos deve ser ouvido ainda este domingo pela justiça grega e poderá ser acusado de homicídio.

No entanto, o estado de degradação da rede ferroviária, problemas no sistema de sinalização e a segurança nas ferrovias foram apontados como problemas já existentes.

Os representantes sindicais vinham alertando nas últimas semanas para as diversas deficiências na rede e para a falta de funcionários.

Não muito longe dos protestos, o primeiro-ministro grego participou num serviço religioso na catedral ortodoxa de Atenas, quando as igrejas de todo o país planeiam prestar homenagem às vítimas do acidente.

Na sexta-feira, manifestantes protestaram e gritaram chamando assassinos junto à sede da companhia ferroviária Hellenic Train, em Atenas, e escreveram a palavra com letras vermelhas na fachada do prédio.

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