"Não acredito que vivemos aqui": este casal trocou a Florida pela Grécia e nunca mais olhou para trás

CNN , Tamara Hardingham-Gill
23 ago, 11:00
Jeffrey Davidson
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Jeffrey Davidson e Walter Zak venderam a casa e o Corvette, partiram com dez malas e compraram, sem nunca a terem visitado, uma propriedade de 400 mil euros no Peloponeso. Quatro meses depois, dizem ter encontrado na Grécia a vida tranquila que procuravam e não imaginam regressar aos Estados Unidos

Há dois anos, Jeffrey Davidson e Walter Zak nunca sequer tinham posto os pés na Grécia. Mas o casal, que vivia anteriormente em Orlando, no estado norte-americano da Florida, está agora feliz e instalado na região do Peloponeso e não consegue imaginar vir algum dia a deixá-la.

Agora reformados, Jeffrey e Walter adoram estar rodeados pela rica história da Grécia e por aquilo que descrevem como a "maravilhosa energia caótica" deste país europeu.

Passam os dias a descansar na casa onde vivem desde abril, na cidade costeira de Akrata, a explorar os locais de interesse da região ou a fazer excursões de um dia a cidades próximas, como Atenas, a capital grega.

"Vivíamos na terra do faz-de-conta", conta Jeffrey, de 62 anos, à CNN Travel, referindo-se à antiga casa do casal, situada perto da Walt Disney World e de outros parques temáticos norte-americanos.

"Agora, para onde quer que nos viremos, tropeçamos em ruínas com vários milhares de anos."

O casal conheceu-se há cerca de 32 anos.

"De certa forma, percebemos que éramos almas gémeas", afirma Jeffrey. "E estamos juntos desde então."

Uma nova aventura

O casal adora a nova vida neste país europeu e não tem planos para regressar aos Estados Unidos

Ambos trabalharam no setor da hotelaria e construíram uma vida feliz na Florida, onde viveram juntos durante três décadas. Mas, à medida que se aproximavam da reforma, estavam preparados para uma nova aventura.

"Pensámos sempre em mudar-nos para o estrangeiro", afirma Walter, de 57 anos. "Não para sairmos dos Estados Unidos, mas simplesmente para vivermos uma experiência diferente."

Walter explica que tinham viajado muito juntos e que adoravam conhecer pessoas de diferentes culturas e origens.

Na verdade, começaram por pensar em mudar-se para um dos seus destinos de férias preferidos, a ilha caribenha de São Martinho, onde fica a praia de Maho, sobre a qual os aviões passam a uma altitude incrivelmente baixa.

No entanto, os custos da mudança e o risco de furacões acabaram por levá-los a excluir essa opção.

"Aqui também temos problemas com sismos e incêndios florestais", reconhece Walter. "Mas, pelo menos, há sítios para onde fugir. Quando se está numa ilha, é um pouco diferente."

Embora Walter tenha ascendência grega, a Grécia não estava verdadeiramente no radar do casal como possível destino para a reforma até à primeira viagem que fizeram ao país, em 2024, para celebrar o 30.º aniversário da relação.

O casal fez um cruzeiro de dez dias pelas ilhas gregas e visitou também Salónica, a cidade onde nasceu o avô de Walter.

Apesar de terem passado apenas duas semanas na Grécia, ambos se apaixonaram pelo país e começaram a imaginar como seria viver ali.

Uma viagem que lhes mudou a vida

Jeffrey e Walter no Teatro Antigo de Epidauro, uma das principais atrações da região da cidade costeira de Akrata, onde vivem desde abril.

"Gostámos do ritmo", afirma Walter. "Gostámos das pessoas. Gostámos daquilo que vimos."

Walter sublinha, contudo, que "uma viagem não é uma vida" e que queriam ter a certeza de que uma mudança para a Grécia fazia realmente sentido antes de avançarem.

Quando regressaram aos Estados Unidos, Walter "começou a investigar" para perceber se a mudança era financeiramente viável. Foi então que descobriram que reuniam as condições necessárias para obter o Golden Visa grego, que permite aos cidadãos de países exteriores à União Europeia obter residência no espaço comunitário através de investimento imobiliário. O investimento mínimo varia entre 250 mil e 800 mil euros, consoante a localização, o tipo e a dimensão do imóvel.

Cerca de um ano depois da viagem, Walter perguntou, como quem não quer a coisa, a um surpreendido Jeffrey se queria reformar-se antecipadamente e mudar-se para a Grécia.

"Disse-me que nos mudaríamos para a Grécia assim que eu vendesse o meu Corvette", conta Jeffrey. "E vendi-o no espaço de uma semana. Depois disso, tudo o resto começou a encaixar."

Naturalmente, não era apenas o automóvel que tinham de considerar. O casal decidiu também vender a moradia de três pisos e reduzir significativamente os seus pertences.

Embora tenham ponderado instalar-se em Salónica, depois de analisarem outros locais, concluíram que Akrata, na região do Peloponeso — uma península acidentada situada no sul da Grécia —, seria a melhor opção devido ao clima mais quente.

Acabaram por comprar, sem nunca a terem visitado, uma casa na aldeia de Platanos por 400 mil euros.

"No fundo, somos rapazes da Florida. Por isso, a Grécia será sempre um pouco mais fria do que aquilo a que estamos habituados", reconhece Walter.

Depois de concluírem a compra da casa e tratarem de todos os assuntos pendentes, tiveram de contar a novidade aos amigos e familiares, que desconheciam, na sua maioria, os planos do casal.

"A parte emocional mais difícil está realmente relacionada com a família e os amigos", afirma Walter.

Felizmente, acabaram por perceber que não tinham motivos para se preocupar. Jeffrey recorda a reação: "Vão. Façam o que quiserem. Está tudo bem. Vemo-nos em breve."

Em abril, o casal seguiu para o aeroporto com dez malas, enviando o resto dos seus pertences num contentor.

Recomeçar do zero

A vista a partir da nova casa, comprada pelo casal sem que a tivesse visitado previamente por 400 mil euros.

Apesar de alguns contratempos durante o percurso, Jeffrey e Walter chegaram em segurança a Atenas e conduziram até à nova casa com enormes sorrisos no rosto.

Momentos depois de chegarem à propriedade, Jeffrey sentou-se na relva e exclamou: "Não consigo acreditar que vivemos aqui. É a coisa mais extraordinária que alguma vez vi."

Embora estivessem radiantes por se encontrarem na Grécia, sentiam também "alguma apreensão" por terem de recomeçar num lugar que tinham visitado apenas por breves instantes.

Ao recordar as primeiras semanas em Akrata, o casal descreve o início de uma viagem interminável para "perceber como tudo funciona".

Isso incluiu comprar novos telemóveis, instalar uma ligação à Internet em casa, comprar um automóvel e até descobrir onde poderiam adquirir gás propano.

"Todos os dias perguntávamos: 'O que aprendemos hoje?'", afirma Walter. "E ainda continuamos a fazê-lo."

Olhando para trás, sentem que fizeram a mudança "na altura certa da vida", quando "ainda têm muito tempo para aprender", já que tudo poderia ter sido muito mais difícil se estivessem na casa dos 70 anos.

Compraram a casa completamente mobilada, pelo que, até à chegada do contentor com os seus pertences e à introdução de alguns elementos pessoais, sentiam que estavam "a viver no Airbnb de outra pessoa".

Hospitalidade grega

Walter, que tem ascendência grega, diz sentir-se comovido pela forma calorosa como os habitantes locais receberam o casal.

Embora a propriedade esteja isolada e não tenham propriamente vizinhos, dizem ser recebidos calorosamente sempre que vão à cidade. Os habitantes locais ficam entusiasmados quando percebem que são residentes permanentes na Grécia e não apenas pessoas que ali passam parte do ano.

"Os habitantes locais ficam radiantes e dizem: 'Estão mesmo a abraçar a Grécia'", conta Walter. "E, quando ouvem que tenho algum sangue grego, é logo: 'És grego.'"

Embora passem muito tempo a cozinhar em casa, também adoram comer fora e frequentam regularmente alguns restaurantes locais "porque o atendimento é fantástico", afirma Jeffrey.

"As pessoas reconhecem-nos assim que entramos", acrescenta. "E dizem: 'Venham já para aqui. Temos a melhor mesa para vocês.'"

Jeffrey e Walter apreciam também o facto de os empregados "não os pressionarem a sair" e de um jantar poder prolongar-se durante várias horas.

"Tudo aquilo que vemos à nossa volta nos obriga a abrandar", afirma Walter. "É muito agradável e representa uma espécie de descanso forçado, de que precisamos depois de anos a pensar: 'Quanto depressa conseguimos jantar?'"

Adaptarem-se aos horários mais tardios de abertura dos restaurantes tem sido, contudo, um desafio.

Recordam que chegavam aos restaurantes às 19h e que os funcionários olhavam para eles com estranheza, uma vez que os gregos costumam jantar muito mais tarde.

O casal também teve de se habituar à pausa diária grega conhecida como *mesimeri*, durante a qual os estabelecimentos comerciais costumam estar fechados entre as 14h e as 17h, bem como ao facto de "estar praticamente tudo fechado" aos domingos.

Embora, no início, sentissem que eram "extraterrestres noutro mundo", Jeffrey e Walter começaram a sentir-se mais integrados ao fim de alguns meses, sobretudo depois de fazerem alguns amigos gregos.

Há poucos estrangeiros na cidade e o casal afirma que isso lhe agrada, sublinhando que não queria viver num local com uma "grande concentração de norte-americanos", pois teria a sensação de nunca ter saído dos Estados Unidos.

"Queríamos abraçar a cultura grega", afirma Jeffrey. "E ter aqui um modo de vida muito mais tranquilo."

Um ritmo mais lento

O casal adora a comida local e come fora regularmente porque "o atendimento é fantástico", afirma Jeffrey

Tentaram aprender grego e frequentaram recentemente um curso com a duração de uma semana. Mas dominar a língua tem sido mais difícil do que esperavam e parece "um regresso à escola primária", afirma Jeffrey.

Têm conseguido desenrascar-se porque "quase toda a gente fala inglês, sobretudo as gerações mais novas", acrescenta.

Jeffrey e Walter estão determinados a melhorar e tentam praticar grego sempre que podem, sobretudo quando comem fora.

Mesmo depois de quatro meses na Grécia, dizem continuar a sentir-se extremamente sortudos por viverem ali. Há poucas coisas de que gostem mais do que descansar na propriedade, composta por uma casa principal com um quarto e uma casa de banho e por um apartamento de hóspedes totalmente equipado, também com um quarto, além de uma "vista maravilhosa sobre o Golfo de Corinto".

"Era a localização perfeita. O preço perfeito. E tudo tem corrido lindamente para nós", afirma Jeffrey.

Jeffrey e Walter não regressaram à Florida desde que partiram, em abril, mas já receberam visitas de pessoas próximas e apreciaram a possibilidade de passar tempo com elas sem sentirem que estavam com pressa.

"Parecia que, quando vivíamos nos Estados Unidos, estávamos sempre numa correria constante", afirma Jeffrey.

"Ou estávamos ocupados a visitar familiares, ou a tentar ir ao supermercado, ou a tentar encontrar-nos com amigos…

"Às vezes, era uma verdadeira loucura. Aqui, a vida é muito mais descontraída. Podemos parar e apreciar as pequenas coisas da vida, como se costuma dizer."

Não conseguem imaginar-se a regressar definitivamente aos Estados Unidos, embora "nunca se deva dizer nunca", afirma Walter.

Jeffrey parece menos disposto a manter essa possibilidade em aberto e brinca: "Ele pode ir. Eu fico."

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