Billie Eilish, Bad Bunny e Olivia Dean defendem imigrantes na noite dos Grammy
Bad Bunny fez história ao vencer o Grammy de Álbum do Ano com “Debí Tirar Más Fotos”, a primeira vez que um álbum totalmente em espanhol foi considerado o melhor pela Academia de Artes e Ciências de Gravação.
“Porto Rico, acreditem em mim quando vos digo que somos muito maiores que 100 por 35”, disse Bad Bunny no discurso de vitória, em espanhol, referindo-se às dimensões da ilha. “Não há nada que não possamos conseguir”, continuou o artista, agradecendo a todas as pessoas que acreditaram nele.
Bad Bunny disse apenas uma frase em inglês, dedicando o prémio “a todas as pessoas que tiveram de deixar a sua pátria para seguirem os seus sonhos”.
Antes, o cantor porto-riquenho já tinha criticado a agência de imigração do Presidente norte-americano Donald Trump dizendo “fora com o ICE”, quando ganhou o Grammy de melhor Música Urbana pelo mesmo trabalho.
Outro grande vencedor foi Kendrick Lamar, que chegou à Crypto.com Arena, em Los Angeles, como o mais nomeado da noite com nove indicações. Lamar levou cinco estatuetas para casa, incluindo Gravação do Ano por “luther” e Melhor Álbum Rap por “GNX”.
A Melhor Atuação Pop a solo foi “Messy”, de Lola Young, a Artista Revelação foi Olivia Dean e Lady Gaga venceu Melhor Álbum Pop Vocal por “Mayhem”.
“Todas as vezes que estou aqui sinto que tenho de me beliscar”, disse Lady Gaga, muito emocionada, agradecendo à equipa que trabalhou com ela e deixando conselhos a quem sonha com uma carreira na música.
“Incentivo-vos a lutarem sempre pelas vossas ideias, pelas vossas músicas, por vós próprios como produtores”, disse Gaga. “Acredito na disciplina e no trabalho árduo”, afirmou também, antes de dirigir palavras de amor ao seu noivo, o empresário Michael Polansky.
A Melhor Canção do Ano foi para Billie Eilish, com “Wildflower”, que aproveitou o discurso para defender os imigrantes e denunciar o ICE. “Ninguém é ilegal numa terra roubada”, declarou a cantora. Na passadeira vermelha, vários artistas usaram pins onde se lia "ICE out", incluindo Justin Bieber.
Na 68ª cerimónia dos prémios Grammy houve também um vencedor português: o guitarrista Nuno Bettencourt levou para casa o gramofone pela atuação em “Changes (Live from Villa Park)/ Back to the Beginning”, em julho de 2025, juntamente com Yungblud, Frank Bello, Adam Wakeman e II.
Billie Eilish, Bad Bunny e Olivia Dean defendem imigrantes na noite dos Grammy
Billie Eilish, Bad Bunny e Olivia Dean usaram os discursos de vitória na cerimonia dos prémios Grammy para defenderem os imigrantes e atacarem a agência de imigração ICE, que tem conduzido rusgas violentas nos Estados Unidos.
Vários outros artistas, incluindo Justin Bieber e Kehlani, usaram pins dizendo “ICE out” na passadeira vermelha, ecoando o mote que levou centenas de milhares de manifestantes às ruas do país na sexta-feira.
“Ninguém é ilegal numa terra roubada”, disse Eilish, quando aceitou o Grammy de Canção do Ano por “Wildflower”, que gravou com o irmão Finneas.
“É muito difícil saber o que dizer e o que fazer neste momento”, continuou a artista. “Temos de continuar a lutar, a protestar e a falar”, incentivou, terminando com um “que se lixe o ICE” que a emissora norte-americana CBS censurou, tirando o som na transmissão ao vivo.
A cantora tinha sido criticada pelo Departamento de Segurança Interna, liderado por Kristi Noem, na sequência de publicações anti-ICE nas redes sociais.
Também o cantor porto-riquenho Bad Bunny se pronunciou contra a ação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) quando venceu o Grammy por Melhor Música Urbana, com “Debí Tirar Más Fotos”.
“Antes de agradecer a Deus, quero dizer fora com o ICE”, disse o artista, cujas palavras mereceram uma ovação em pé da audiência. “Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas, somos humanos e somos norte-americanos”, afirmou.
Bad Bunny disse ainda que ódio gera mais ódio e pediu que se lute “com amor”. Quando voltou ao palco para receber o Grammy de Álbum do Ano, discursou em espanhol e dirigiu a única frase em inglês às pessoas que deixam a pátria “para seguirem os seus sonhos”.
Também Olivia Dean, que levou para casa o Grammy de Artista Revelação, usou o momento no palco para defender os imigrantes.
“Estou aqui como neta de imigrantes. Sou um produto da bravura e penso que estas pessoas devem ser celebradas”, disse a artista. “Não somos nada uns sem os outros”, acrescentou.
Outros artistas que se posicionaram contra o ICE na noite de prémios foram Hailey Bieber, Joni Mitchell, Finneas e Amy Allen. A 68ª cerimónia da Academia de Artes e Ciências de Gravação decorreu na Crypto.com Arena, em Los Angeles.
Lista de principais premiados:
- Álbum do ano: “Debí Tirar Más Fotos”, Bad Bunny
- Gravação do ano: “luther", Kendrick Lamar com SZA
- Canção do ano: “Wildflower", Billie Eilish e Finneas O’Connell
- Melhor performance pop a solo: “Messy”, Lola Young
- Artista Revelação: Olivia Dean
- Melhor álbum pop vocal: "Mayhem", Lady Gaga
- Melhor álbum rap: “GNX”, Kendrick Lamar
- Melhor álbum música urbana: “Debí Tirar Más Fotos”, Bad Bunny
- Melhor álbum rock: “Never enough", Turnstile
- Melhor vídeo de música: "Anxiety", Doechii