Criação de uma categoria não agradou à banda
Os BTS não vão submeter músicas para concorrer aos Grammy do próximo ano, anunciaram os membros do supergrupo de K-pop esta quarta-feira, pouco mais de um mês depois de a Academia de Gravação ter confirmado que a cerimónia de 2027 incluirá, pela primeira vez, uma categoria para a performance de música pop asiática.
“Decidimos não nos inscrever nos Grammy este ano”, disse a banda num comunicado partilhado no Instagram por todos os sete membros, no qual também se pode ler o seguinte: “Esperemos que a música possa ser ouvida e amada pelo que é, em vez de ser dividida por região ou idioma”.
Os BTS têm tido um enorme sucesso desde a sua formação em 2010. Ganharam o prémio Billboard Music Award (BBMA) para Melhor Artista Social cinco vezes entre 2017 e 2021, foram nomeados Artista do Ano nos American Music Awards em 2021 e 2026 e tornaram-se o grupo mais premiado da história dos BBMA em 2022.
Mas alguns fãs temem que a introdução de um prémio definido pela geografia minimize o valor do trabalho dos artistas.
Os BTS "representam tudo o que adoro na música", diz Will Scragg, de 27 anos, à CNN. O superfã inglês viu a banda duas vezes este verão - uma vez na sua cidade natal, Londres, e outra numa viagem para Munique.
"Aprecio muito a quantidade de esforço que dedicam a tudo. Eles adoram mesmo atuar, e presenciar tudo isto ao vivo é uma experiência incrível e gratificante."
Scragg apoia a decisão dos BTS de não se candidatarem aos Grammy - apesar de admitir que esperava que a banda recebesse várias nomeações para os Grammy desta vez.
O seu sexto álbum em coreano, "Arirang", dominou as tabelas internacionais quando foi lançado em março, estreando-se em primeiro lugar na Billboard 200 e alcançando o topo em 23 países, incluindo o Reino Unido, Alemanha e Japão.
Scragg ficou "dececionado e um pouco confuso" ao saber que os Grammy planeavam lançar uma categoria para música asiática.
"Sinto que é uma forma de manter os BTS fora das categorias principais e mais prestigiadas", explica Scragg. "Parece uma forma de marginalizar os artistas asiáticos".
E Scragg não é o único fã que acredita que a decisão tem origem na exclusão.
“Acredito que os Grammy precisam de artistas como os BTS para se manterem relevantes”, acrescenta Eleri Williams, de 22 anos, do País de Gales, à CNN.
Williams, que já viu a banda em 10 ocasiões, incluindo em Seul, Las Vegas e Paris, descreve a admiração pela música partilhada por fãs de todo o mundo, mesmo que muitos não falem coreano, língua em que muitas das músicas dos BTS são cantadas.
“Acho que o propósito da música é unir as pessoas, e isso é apenas mais uma forma de segregação”, acrescenta.
Ainda assim, as categorias determinadas pela cultura ou localização não são incomuns nos Grammy. Prémios como Melhor Álbum de Jazz Latino, Melhor Álbum Tropical Latino e Melhor Performance de Música Africana são entregues todos os anos.
De acordo com as regras e diretrizes publicadas antes da 69.ª edição dos Grammy, em fevereiro do próximo ano, uma música só pode concorrer a uma categoria de performance por ano.
Assim sendo, se os BTS inscrevessem uma canção na categoria de Melhor Performance de Música Pop Asiática, não poderiam inscrevê-la também na categoria mais abrangente de Melhor Performance Pop de Duo/Grupo - na qual foram nomeados em 2021 e 2022 - e vice-versa.
Scragg reconhece que categorias mais específicas, como o prémio asiático, podem ser uma excelente forma de os artistas menos conhecidos receberem atenção num palco global.
Mas defende que os BTS já ultrapassaram esse patamar e respeita a banda pela sua postura digna. "Os BTS mantiveram-se firmes e tenho orgulho deles por reconhecerem o seu próprio valor", reitera.
O regresso dos BTS às tabelas musicais na primavera era muito aguardado, uma vez que os artistas tinham feito uma pausa de quatro anos para que todos os sete membros pudessem cumprir o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul.
A CNN contactou a Academia de Gravação para comentar o assunto.
Gawon Bae contribuiu para esta reportagem
