Executivo espanhol acredita que os incidentes e os episódios de violência foram coordenados por grupos organizados de extrema-direita que, de acordo com Sánchez, quiseram boicotar a visita do primeiro-ministro e dos reis de Espanha
O governo espanhol acusa a extrema direita de ser responsável pelos incidentes em Paiporta, durante os quais o "presidente do Governo recebeu um golpe", segundo denunciou o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, em entrevista à TVE.
Grande-Marlaska denunciou ainda que os atos violentos foram cometidos por "pessoas e grupos muito marginais" e que "a maioria dos que se reuniram são pessoas absolutamente pacíficas que perderam tudo e cuja raiva compreendemos”.
A investigação está a ser coordenada pela Guardia Civil. Já no domingo, o jornal La Vanguardia avançava que estava a ser investigada a infiltração de grupos de extrema-direita nos confrontos de Paiporta, a zona de Valência mais afetada pela passagem da depressão DANA, que já causou mais de 210 mortos, havendo ainda centenas de pessoas desaparecidas.
Segundo o El País, o executivo espanhol acredita que os incidentes e os episódios de violência foram coordenados por grupos organizados de extrema-direita que, de acordo com Sánchez, quiseram boicotar a visita do primeiro-ministro e dos reis de Espanha.
"Não nos vamos desviar pela violência de alguns elementos marginais. A maior parte da sociedade recusa qualquer tipo de violência como a que vimos no dia de hoje", afirmou o governo.
A visita, que ficou marcada por insultos e violência, chegou a ser desaconselhada pelo Palácio da Moncloa (residência oficial do primeiro-ministro), mas o Palácio da Zarzuela (residência oficial do rei) quis seguir com o plano, tendo sido quem desenhou a visita em que Pedro Sánchez e o presidente do governo regional de Valência, Carlos Mazón, também participaram.
"Provavelmente não era o momento mais oportuno... é possível que o cálculo tenha sido errado", afirmou o ministro dos Transportes, Óscar Puente, no La Sexta, ele que foi um dos responsáveis pela organização da visita.
Pedro Sánchez, que decidiu que tinha de ser ele a acompanhar Felipe VI em vez de um outro ministro qualquer, foi retirado depois de ter sido atingido com um pau nas costas. Imagens do carro do primeiro-ministro também evidenciaram a fúria de alguns dos populares presentes.
“Claro que, dadas as consequências, não foi uma boa decisão. Mas bem, estas coisas podem acontecer, especialmente se forem organizadas por grupos de extrema-direita. É pura anti-política, aproveitando-se do mal-estar lógico da população”, afirmou fonte da Moncloa ao El País.
Gritos de "fora daqui" e arremesso de lama acolheram a comitiva dos reis de Espanha, do presidente do governo, Pedro Sánchez (PSOE), e do presidente da Generalitat de Valência, Carlos Mazón (PP), à sua chegada ao centro de Paiporta.
Muitas pessoas indignadas receberam a comitiva com insultos e confrontando as figuras políticas, enquanto o rei e a rainha tentaram conversar com os jovens que os abordaram.
Na terça-feira, várias regiões de Espanha, entre as quais a Comunidade Valenciana, estiveram sob a influência de uma “depressão isolada em níveis altos”, um fenómeno meteorológico conhecido como DANA, que provocou chuvas torrenciais, inundações e avultados prejuízos.
Além das vítimas mortais, o temporal causou danos em infraestruturas de abastecimento, comunicações e transportes. Nas zonas afetadas estão mais de sete mil militares e dez mil elementos da Polícia Nacional e da Guarda Civil.