Governo está a "estudar a melhor fonte de financiamento" para ajudar quem mais precisa e espera poder contar com "mecanismos de solidariedade" a nível europeu
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, avisou que, nos próximos dias, haverá "alguns riscos" associados à depressão Kristin e prometeu um "conjunto de instrumentos" para apoiar os mais afetados.
Em declarações aos jornalistas, durante uma visita a Leiria, um dos concelhos mais afetados pela depressão Kristin, Luís Montenegro disse entender a "sensação de revolta e de indignação" das pessoas que mais sofreram os impactos da tempestade, mas garantiu que as autoridades estiveram "desde a primeira hora" em estado de prontidão e que decretar a situação de calamidade não altera nada nesse aspeto.
"Com isso [a situação de calamidade], não direi que elevámos nenhuma prontidão em termos de recursos e meios disponíveis, porque isso já estava a acontecer mesmo sem o decretar da situação de calamidade. O que começamos a desenhar são os mecanismos para, de uma forma mais célere, mais rápida, menos burocrática, podermos colocar todos os trabalhos de recuperação no terreno", explicou.
O primeiro-ministro sublinhou que a tempestade que varreu sobretudo o centro do país foi "um fenómeno raro" e que, "de alguma maneira, não se podia prever com muita antecedência".
"Embora a depressão tenha passado, ainda temos, para os próximos dias, alguns riscos associados a níveis altos de chuva, a níveis altos de intensidade do vento, e sabemos que o que foi deixado por esta depressão fragiliza muita da capacidade de resposta", avisou.
O Governo está, por isso, a "antecipar problemas", nomeadamente cheias e inundações, que "serão inevitáveis em algumas circunstâncias, dado que os terrenos não conseguem absorver mais águas".
Questionado sobre a reposição da energia, das comunicações e do abastecimento de água nas zonas mais afetadas, designadamente em Leiria e outros concelhos, o primeiro-ministro não se quis comprometer com prazos.
"Ainda não tenho informação suficiente para estar a dar um horizonte que possa depois ser ultrapassado, não vale a pena estar a criar expectativas" respondeu, assegurando que as autoridades estão a fazer "o maior esforço possível para, de forma provisória, poder dar uma resposta" nesse sentido.
"Nós estamos a mobilizar um conjunto muito significativo de geradores para esta região. A própria E-redes está a mobilizar uma subestação itinerante que vem para cá, para poder colmatar todos os prejuízos que as próprias subestações nesta região tiveram fruto da intempérie e queremos que, o quanto antes, todos tenham acesso a energia elétrica", concretizou.
Sobre os apoios que estão a ser desenhados para ajudar as pessoas afetadas pela tempestade, o primeiro-ministro afirmou que o Governo está a "estudar a melhor fonte de financiamento" para ajudar quem mais precisa e espera poder contar com "mecanismos de solidariedade" a nível europeu.
"Estamos nesta fase a incluir na resolução que determina a situação de calamidade um conjunto de instrumentos que irá estar à disposição de todos os municípios para poder repor o essencial. Isso vai, naturalmente, comportar um esforço financeiro grande e nós estamos a estudar a melhor fonte de financiamento, sendo certo que as pessoas não deixarão de ter essas ajudas”, assegurou.