Governo pretende criar uma base digital contínua que ligue empresas, territórios e comunidades portuguesas no estrangeiro, dando escala a uma rede que, até agora, tem funcionado de forma dispersa. "Este é um pontapé de saída para desenvolvermos esta comunidade económica dos portugueses no mundo", resume o secretário de Estado
Chama-se "Portugal Nação Global" e é apresentada como a peça central de um novo modelo de ligação entre a diáspora e a economia nacional. A plataforma digital, que será lançada no encontro com o mesmo nome que se realiza esta quarta e quinta-feira, no Centro Cultural de Belém, promete funcionar como uma rede permanente de negócios entre portugueses espalhados pelo mundo.
A aplicação permitirá a empresários aceder a perfis de empresas, marcar reuniões e procurar parceiros de investimento, exportação ou importação, prolongando para além do evento os contactos estabelecidos presencialmente. A ambição passa por transformar uma rede dispersa - com presença portuguesa em 178 países - numa comunidade económica ativa.
"O objetivo é muito ambicioso", afirma o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, em entrevista à CNN Portugal. "Nós, portugueses, andamos há seis séculos a viajar pelo mundo, a descobrir caminhos, a povoar territórios e hoje temos comunidades em 178 países. Portanto, em todo o globo."
Para o governante, o projeto parte de uma mudança de perspetiva: "Tivemos a ideia de redefinir o conceito de nação. Em vez de um espaço geográfico, tirarmos o conceito da geografia e substituí-lo por um conceito de pessoas, de comunidades”, explica, defendendo a criação de “uma comunidade económica dos portugueses".
A plataforma surge integrada num modelo que combina encontros "business-to-business" durante o evento com uma infraestrutura digital permanente. Segundo Emídio Sousa, esta ferramenta permitirá que os contactos não se esgotem nos dois dias do encontro. "A plataforma vai ser permanente. Não é desenvolvida apenas para este momento. Um português que está no Brasil, nos Estados Unidos ou no Canadá pode encontrar ali alguém que o ajude a fazer negócio, a investir ou a entrar num novo mercado", explica.
Segundo o secretário de Estado, a ferramenta permitirá dar continuidade prática aos contactos iniciados no evento. "As empresas que estão inscritas vão ter encontros com empresas com as quais possam ter interesse em fazer negócio, seja para compra, seja para venda”, refere, acrescentando que os participantes poderão "ceder ao perfil das empresas inscritas e agendar reuniões individuais".
Além das reuniões entre empresas, a aplicação integra também informação sobre oportunidades de investimento apresentadas por municípios portugueses, que terão um papel ativo no evento. As autarquias vão dispor de momentos para expor projetos e captar interesse de investidores, podendo depois dar continuidade às conversas através da plataforma. "Desafiámos os municípios a apresentarem as oportunidades de investimento. Disse aos presidentes de câmara: mais do que levarem os produtos habituais - o azeite, o queijo, o vinho -, levem o PDM e apresentem os vossos territórios".
O objetivo é criar ligações diretas entre investidores e decisores locais. "Se alguém tiver interesse em investir, pode marcar um encontro com o presidente de câmara e ter ali um interlocutor privilegiado", acrescenta.
O encontro arranca já com uma adesão significativa: mais de 150 empresas da diáspora, provenientes de 33 países, e mais de 200 empresas nacionais, além de instituições e entidades públicas. "Temos empresas dos cinco continentes, comunidades intermunicipais, áreas metropolitanas, governos regionais", enumera Emídio Sousa. "O grande objetivo é pôr as pessoas a conhecer e a falar umas com as outras."
Durante os dois dias, os participantes poderão utilizar a plataforma para organizar contactos e reuniões, num modelo que combina momentos formais e informais, incluindo um jantar de gala pensado para facilitar a criação de ligações. "No mundo dos negócios muitas vezes é nos momentos de informalidade que as coisas avançam.”
Para o Governo, este é o ponto de partida de um projeto mais amplo. "Arrancamos pelo mundo dos negócios, mas depois queremos ir para a cultura, para a educação, para a ciência, para o desporto", afirma. "A partir daqui, o limite somos nós que o definimos e eu acho que nunca vai haver limite."