“Era um episódio de uma gravidade tal que era necessário que houvesse responsabilização”. Marta Temido confirma que morte de grávida precipitou a demissão (e voltará ao Parlamento como deputada)

10 set, 18:35

Ministra da Saúde, que deixou formalmente de exercer funções este sábado, explicou que continuará a vida política como deputada. "Foram anos muito difíceis. Vão continuar a ser. Esta é uma área crítica", advertiu

A ex-ministra da Saúde, Marta Temido, admitiu este sábado que a morte de uma grávida durante a transferências de hospitais em Lisboa, por falta de vagas no Santa Maria, ditou o seu pedido de demissão. “Era um episódio de uma gravidade tal que era necessário que houvesse responsabilização”, afirmou, após a tomada de posse do sucessor, Manuel Pizarro.

“A ministra entendeu que estava criado o ambiente que exigia que houvesse uma responsabilidade pessoal. E eu entendi que ela devia ser minha”, acrescentou.

A ex-ministra admitiu que o cargo representou “uma tarefa muitíssimo difícil e exigente” e deixou um agradecimento alargado a todos com quem trabalho. “Considerei que a forma como o setor perspetiva a ministra da Saúde era como fazendo mais parte do problema do que da solução”, que é o reforço dos serviços públicos de saúde, acrescentou.

Na hora da saída, Temido insistiu que não guarda “amargos de boca” nem “marcas mais negras”. Contudo, deixa alertas sobre os desafios futuros da pasta que agora deixa: “Foram anos muito difíceis. Vão continuar a ser. Esta é uma área crítica”. Desafiada a deixar um conselho ao sucessor, Manuel Pizarro, a socialista brincou: “Se os conselhos fossem bons não se davam, vendiam-se”.

Marta Temido assegurou que irá continuar a desempenhar funções políticas, assumindo o mandato como deputada na Assembleia da República. “A política é um exercício de cidadania”, justificou.

Temido apresentou a demissão na madrugada de 30 de agosto, dizendo não ter “condições” para se manter no cargo. O pedido foi de imediato aceite pelo primeiro-ministro, António Costa. Contudo, a substituição não foi imediato porque líder do executivo queria que a governante terminasse o diploma sobre a direção executiva do SNS.

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