Um dos maiores jornais do mundo analisa a cise política em Portugal e fala num primeiro-ministro em risco de cair depois de não ter conseguido "implementar reformas significativas"
A crise política em Portugal é destaque no Financial Times desta terça-feira, que puxa para destaque "Governo português à beira do colapso". O jornal refere que o Governo de Luís Montenegro enfrenta esta terça-feira uma moção de confiança que pode levar o país a novas eleições, as terceiras em menos de quatro anos, e faz ainda referência ao caso que envolve a empresa de consultoria Spinumviva, que Montenegro fundou e transferiu para a mulher e os filhos em 2022.
"Montenegro, que lidera um frágil governo minoritário há 11 meses, foi envolvido numa tempestade por alegadamente não ter alienado a sua participação numa empresa de consultoria que fundou", lê-se no artigo. Segundo o FT, os críticos dão conta de que, pela lei portuguesa, essa transferência seria inválida e que a oposição socialista acusa Montenegro de continuar a receber pagamentos de empresas enquanto era primeiro-ministro.
"Quando os socialistas ameaçaram abrir um inquérito parlamentar sobre o caso, na semana passada, Montenegro disse que 'o país precisa de uma clarificação política' e anunciou que iria submeter o seu Governo a uma moção de confiança. Montenegro continua a acusar a oposição de provocar polémica e insiste que não fez nada de mal", acrescenta o jornal.
Fazendo um resumo de toda a polémica, o artigo refere ainda a transferência da empresa para os filhos e refere o anúncio de que Montenegro será candidato a primeiro-ministro caso o Governo caia, esta terça-feira. Citando a sondagem da CNN Portugal, o jornal lembra ainda que os resultados colocam a AD com 33,5% contra 28,8% dos socialistas e lembra que Montenegro "excluiu a possibilidade de trabalhar com Chega durante o seu mandato e a falta de uma maioria parlamentar impediu-o de implementar reformas significativas".
"A luta da AD para conseguir uma maioria parlamentar deve-se, em grande parte, à ascensão do Chega, um partido de extrema-direita que capitaliza o descontentamento com a imigração e a corrupção. Espera-se que tanto o Chega como os socialistas votem a favor da destituição de Montenegro na moção de confiança. Montenegro excluiu a possibilidade de trabalhar com Chega durante o seu mandato e a falta de uma maioria parlamentar impediu-o de implementar reformas significativas".
O artigo destaca ainda que o próximo governo enfrentará desafios como o aumento dos gastos com defesa, pressionado pelos EUA e pela NATO. "O novo governo enfrentará pressões imediatas para aumentar as despesas com a defesa, uma vez que o Presidente dos EUA, Donald Trump, se insurge contra o facto de os membros da NATO não pagarem a sua quota-parte. Portugal gastou cerca de 1,6% do PIB com a defesa no ano passado, o que fica aquém do objetivo de 2% da NATO, que deverá ser aumentado. Trump afirmou que pretende aumentar o objetivo para 5%", lê-se.