Ministros, professores e ex-alunos. Afinal, quantas e quais as ligações do PS ao ISCTE?

20 abr, 20:08
ISCTE

São 12 ministros e ex-ministros que estiveram, estão ou vão estar ligados àquela universidade, que até se congratula dizendo: "ISCTE com três ministros no Governo"

Durante a discussão do Programa de Estabilidade houve um tema que surgiu sem que o Governo estivesse à espera. Uma suposta ligação entre Partido Socialista e ISCTE, instituto universitário de Lisboa. Afinal, que ligações têm as duas partes?

Deitando um olho ao atual Governo encontramos rapidamente sete caras com passado ligado ao ISCTE. É o caso de Pedro Adão e Silva, que ainda aparece no site daquela faculdade como “atual diretor do Doutoramento em Políticas Públicas”. De resto, foi ali que o atual ministro da Cultura tirou a licenciatura em Sociologia, entre 1992 e 1997. Dez anos depois de acabar o curso assumiu o cargo de professor, que manteve até ir para o executivo.

Percurso académico semelhante teve Helena Carreiras, a nova ministra da Defesa que cursou Sociologia nos graus de licenciatura e mestrado no ISCTE. Em 2021 foi convidada para professora associada.

Os dois trabalharam de perto com a atual reitora, Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação do primeiro governo de José Sócrates (2005-2009), que assumiu o mais alto cargo do ISCTE a 8 de março de 2018. Foi um passo em frente para a então docente, que ali dava aulas desde novembro de 2010, depois de também ali se ter licenciado e doutorado.

Quem igualmente lecionou no ISCTE foi o antigo ministro da Defesa e atual ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho. A juntar a Pedro Adão e Silva e a Helena Carreiras, o ISCTE fez as contas e até publicou uma notícia com o título "ISCTE com três ministros no Governo", que é apenas de acesso interno.

Menos notórias, mas ainda presentes nos currículos, são as ligações de outros quatro atuais ministros àquela instituição. Ana Catarina Mendes e Duarte Cordeiro tiraram pós-graduações em Novas Fronteiras do Direito e Direção Empresarial, respetivamente, enquanto Mariana Vieira da Silva, António Costa Silva e Fernando Medina ocuparam cargos de aconselhamento. A ministra da Presidência integrou o Fórum das Políticas Públicas, enquanto o tutelar da pasta da Economia e o da pasta das Finanças eram membros do Conselho de Curadores do ISCTE.

De resto, é precisamente no colo de Fernando Medina que cai o caso, sendo que o atual ministro das Finanças já garantiu que vai procurar esclarecer tudo.

Vai ter oportunidade de o fazer na audição que foi pedida por PSD, Chega e Iniciativa Liberal com caráter de urgência. Para isso também foram convocados os antigos ministros das Finanças e do Ensino Superior, bem como a atual reitora do ISCTE.

Relativamente a João Leão, as ligações vão do passado ao futuro. Em 2008 foi agregado no quadro de professores do ISCTE, instituto para o qual vai voltar agora, mas como vice-reitor, logo abaixo de Maria de Lurdes Rodrigues. Pelo meio estão cerca de seis anos em que foi secretário de Estado do Orçamento (entre 2015 e 2020) e ministro das Finanças (depois da saída de Mário Centeno e até à queda do governo anterior).

De acordo com o jornal Observador, João Leão foi convidado e negociou a sua ida para aquele cargo quando ainda era ministro das Finanças, dois dias antes de sair, a 28 de março.

Neste regresso ao ISCTE, onde também vai assumir a pasta do Desenvolvimento Estratégico, João Leão será o responsável pela gestão do Centro de Valorização de Transferência de Tecnologias, que conta com verbas atribuídas no último Orçamento do Estado, que foi escrito precisamente pelo agora ex-ministro das Finanças.

O jornal Público escreve que está prevista a transferência de 8 milhões de euros do Estado para aquele projeto, mas o ISCTE diz que apenas 5,2 milhões de euros vêm da dotação centralizada das Finanças.

Mais se refere que o Centro de Valorização do Conhecimento e Transferência de Tecnologias do ISCTE foi o único projeto da tutela do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior que recebeu apoio do Ministério das Finanças nos últimos cinco anos. Ao todo foram alocados ao projeto 12 milhões de euros.

A maioria destes nomes fazem parte de uma lista publicada pelo próprio ISCTE, em que são contabilizados alguns "alumni notáveis". É lá que aparecem os nomes do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e atual presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, mas também o antigo secretário-geral do PS, António José Seguro e a anterior ministra da Cultura, Graça Fonseca, que ali se doutorou.

Quem não vem referido nessa lista são quatro secretários de Estado deste novo Governo. Eduardo Pinheiro e Marco Capitão Ferreira, responsáveis pelas pastas do Planeamento e da Defesa Nacional, respetivamente, tiraram uma pós-graduação no ISCTE. Já João Neves e Miguel Fontes, secretários de Estado da Economia e do Trabalho, também frequentaram aquela instituição, tirando um mestrado, no caso do primeiro, e uma licenciatura seguida de pós-graduação, no caso do segundo. Também o nome de José Vieira da Silva, ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social no primeiro governo de António Costa, foi professor convidado no ISCTE.

Ao todo, e contabilizando os três governos encabeçados por António Costa desde 2015, 12 ministros estiveram, estão ou vão estar ligados ao ISCTE.

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