Nove meses, onze demissões. As contas de um Governo em constante demissão

5 jan, 20:28
António Costa (António Pedro Santos/Lusa)

De nomes de peso no PS a desconhecidos que nem chegaram a ter tempo para mostrar trabalho

Carla Alves nem chegou a aquecer a cadeira. A secretária de Estado da Agricultura esteve 25 horas e 54 minutos no cargo, caindo depois de se saber que tem contas bancárias arrestadas porque o marido foi acusado pelo Ministério Público dos crimes de corrupção, prevaricação e participação económica em negócio.

É a 13.ª demissão num Governo que leva pouco mais de nove meses, a 11.ª por razões políticas, todas elas ligadas a polémicas, maiores ou menores, com ou sem envolvimento da Justiça. Sara Abrantes Guerreiro e Rui Martinho, respetivamente secretários de Estado para a Igualdade e Migrações e da Agricultura saíram por razões de saúde, mas os restantes caíram presos a polémicas.

De sucessores de Costa a preteridos

Marta Temido foi a primeira a cair com estrondo. Apontada pelo próprio António Costa como uma putativa sucessora no cargo de secretário-geral do PS, a governante acabou por não resistir a uma sucessão de polémicas que já transitavam do anterior Governo, e que tiveram o ponto mais baixo com a morte de uma grávida que foi transferida por haver falta de vagas na Neonatologia do Hospital de Santa Maria.

Esse caso deixou Marta Temido sem “condições”, naquele que foi o primeiro de vários golpes no executivo. Com a ministra da Saúde caíram também António Lacerda Sales e Fátima Fonseca, os seus secretários de Estado.

Mais recente é o caso de Pedro Nuno Santos, que ainda passou o Natal como ministro das Infraestruturas e da Habitação, mas que não conseguiu passar o ano no cargo. Também chegou a ser apontado como potencial sucessor de António Costa, mas uma série de polémicas, com ponto alto no caso do novo aeroporto, desgastaram a relação entre os governantes.

Defensor do projeto do Governo para a TAP desde o início, acabou por sair como vítima da empresa, depois do caso da polémica indemnização dada pela empresa a Alexandra Reis, que veio a assumir o cargo de secretária de Estado do Tesouro, e que também acabou demitida.

A acompanhá-lo saíram também Hugo Mendes e Marina Gonçalves, secretários de Estado das Infraestruturas e da Habitação, respetivamente, sendo que esta última assumiu, entretanto, a pasta do Ministério da Habitação.

De “casinho” a demitido

António Costa apelidou-o de "casinho", mas a polémica em torno do seu secretário de Estado Adjunto ainda deverá fazer correr muita tinta. Soube-se a 26 de outubro que Miguel Alves terá adiantado 300 mil euros para a construção de um pavilhão em Caminha na altura em que era presidente daquela autarquia. Só duas semanas depois, a 10 de outubro, e depois de muitos pedidos de esclarecimento, é que o governante se demitiu.

A oficialização aconteceu pouco depois de o Ministério Público ter acusado Miguel Alves do crime de prevaricação. "Face à acusação deduzida pelo Ministério Público, e mesmo não tendo conhecimento dos seus termos e pressupostos, entendo não estarem reunidas as condições que permitam a minha permanência no Governo de Portugal", disse governante. Algo que António Costa "percebeu bem".

Menos de um mês no cargo

Durou mais que Carla Alves, mas também não durou muito. Soube-se a 24 de dezembro do pagamento da indemnização de 500 mil euros a Alexandra Reis, nomeada no início desse mesmo mês para secretária de Estado do Tesouro. A 27 de dezembro o Ministério das Finanças anunciou a saída, num comunicado enviado por volta das 23:30, e que se seguiu a dias de vários pedidos de demissão por parte da oposição e de fortes críticas da oposição.

"Solicitei hoje mesmo à Eng.ª Alexandra Reis que apresentasse o seu pedido de demissão como Secretária de Estado do Tesouro, o que foi por esta prontamente aceite", referia a nota assinada pelo ministro, Fernando Medina.

Polémica na Economia

As demissões aconteceram no Ministério da Economia e do Mar, mas foi o próprio primeiro-ministro a demitir os secretários de Estado da Economia e do Turismo. Embora não tenham sido esclarecidas as razões, sabe-se que havia divergências de fundo entre João Mendes e Rita Marques e o ministro que tutela a pasta, António Costa Silva.

Em causa terá estado uma medida defendida pelo ministro, a descida transversal do IRC, algo com que os secretários de Estado não concordaram, tendo mesmo contrariado António Costa Silva. As demissões foram conhecidas a meio da tarde de 29 de novembro.

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