"Como engenheiro e cidadão", Moedas usa duas escalas de alegria para reagir ao novo aeroporto

15 mai, 12:57

Escala 1: presidente da Câmara de Lisboa está "contente com Pinto Luz". Escala 2: está "muito feliz com Lisboa-Madrid"

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, elogiou “a coragem” do governo de Luís Montenegro por ter tomado uma decisão sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa “em 30 dias”, sublinhando o impacto que a decisão vai ter para a cidade, para o país e para o ambiente.

“O Governo decidiu. Durante oito anos, com toda a inércia, a decisão não estava tomada. E esta é uma decisão fundamental para o futuro do país. Tomar a decisão em 30 dias não é uma decisão fácil, mas é preciso tomá-la”, afirmou Carlos Moedas aos jornalistas, numa conferência de imprensa na Câmara Municipal de Lisboa.

O autarca da capital sublinhou o facto de “todos os estudos técnicos” indicarem que a melhor solução para o futuro aeroporto de Lisboa passava pelo campo de tiro de Alcochete, que tem a opção de aumentar o número de pistas em caso de um aumento da procura.

“Ainda em campanha, estive sempre do lado desta solução, enquanto engenheiro e como cidadão”, defendeu.

O plano anunciado pelo Ministério das Infraestruturas e Habitação decide não só a localização do novo aeroporto como também avança com a construção da nova linha de alta velocidade para ligar Lisboa a Madrid. Carlos Moedas destacou a importância que esta decisão vai ter para o futuro da cidade.

“É uma decisão que me deixa particularmente muito feliz. A decisão da ligação da alta velocidade entre Lisboa e Madrid. Sempre a defendi. É essencial ligar as duas capitais ibéricas com uma linha de alta velocidade”, explicou o autarca, que acrescenta que a obra vai ser importante para a economia da cidade. “A comunidade de Madrid é uma região com o PIB do nosso país”, frisa.

A construção desta nova linha de alta velocidade vai implicar a construção da Terceira Travessia do Tejo, que deve ligar Chelas ao Barreiro. No entanto, o projeto não está concluído e o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, comprometeu-se a estudar a possibilidade de avançar com uma ponte que não sirva apenas para comboios e que também permita a circulação de veículos motorizados.

“Fico muito contente que o ministro Pinto Luz tenha avançado com este estudo. Só posso agradecer a este Governo a coragem de decidir, a coragem de não vacilar, a coragem de ir a fundo para uma das decisões sem olhar a meias decisões”, disse Carlos Moedas, que pediu também união aos portugueses em torno destas medidas.

A solução apresentada pelo executivo passa pela expansão, a curto prazo, do aeroporto Humberto Delgado, que se encontra fortemente congestionado. Moedas sublinha que a situação atual é insustentável do ponto de vista ambiental. “O aeroporto vive tempos muito difíceis no seu funcionamento com grande congestionamento. Não há nada pior para o ambiente do que termos um aeroporto congestionado e é isso que tem acontecido nos últimos anos”, destacou.

Sobre o que poderá ser feito nos terrenos da Portela quando o aeroporto sair de lá, após a construção do novo aeroporto, o autarca admite que ainda não tem essa ideia, mas sublinha que “gostaria muito” que na decisão acerca desses terrenos a Câmara Municipal de Lisboa olhe para o futuro e aposte “numa cidade cada vez mais verde e sustentável”. 

Questionado sobre os constrangimentos para os residentes de Lisboa, Moedas garante que uma parte do dinheiro aplicado nas obras do aeroporto da Portela serão aplicadas na mitigação da poluição em Lisboa. Apesar de tudo, o presidente da Câmara admite que esta situação se vai arrastar “10 a 12 anos” até poder “descongestionar os céus de Lisboa”.

“O aeroporto da Portela está de tal forma congestionado que há aviões que têm de ficar a voar por não ter espaço para a aterrar e isso cria muita poluição.”

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