Costa quebra o silêncio e diz que fala com Galamba esta terça-feira. Mas deixa claro que “ninguém no Governo deu ordens ao SIS”

CNN Portugal , DCT, atualizado às 23:14
1 mai, 21:04
Governo anuncia novas medidas de apoio às famílias após revisão do crescimento económico (Manuel de Almeida/LUSA)

O primeiro-ministro falou pela primeira vez da polémica que envolve o ministro das Infraestruturas, João Galamba, e o ex-adjunto Frederico Pinheiro.

António Costa quebrou, pela primeira vez, o silêncio após a polémica que envolve o ministro das Infraestruturas, João Galamba, e o ex-adjunto Frederico Pinheiro. 

Numa resposta ao jornal Observador através do seu gabinete, o primeiro-ministro diz que o ministro “deu - e bem - o alerta pelo roubo do computador com documentos classificados”, mas deixa claro que “não foi nem tinha de ser informado” e que “nem tomou qualquer diligência” junto da Secretaria-geral do Serviço de Informações da República Portuguesa quanto à chamada do SIS para a recuperação do computador do Estado. 

O primeiro-ministro diz ainda que “as autoridades agiram em conformidade no âmbito das suas competências legais”.

Mais tarde, em entrevista à RTP, revelou que irá falar pessoalmente com João Galamba esta terça-feira de manhã e frisa: “Não tenho menor indício que o ministro tenha procurado esconder o que quer que seja”.

Quando questionado se já falou com Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa esquiva-se e diz que fala com regularidade com o Presidente da República, sem confirmar ou desmentir se já abordaram a mais recente polémica no governo.

À chegada a Portugal, o primeiro-ministro diz que “o que se passou nem a título de exceção é admissível. Obviamente não é o padrão, regra de funcionamento de nenhum governo, não é deste governo. Portanto, o que se passou é a todos os títulos, algo que é inadmissível”, disse o primeiro-ministro em declarações à RTP. 

“Não estou a falar do comportamento individual do ministro das Infraestruturas, porque obviamente é legítimo que um ministro demita um colaborador em que perdeu confiança”, disse, deixando  claro que João Galamba “não escondeu nem pretendeu esconder qualquer documento da Comissão Parlamentar de Inquérito e entregou à Comissão Parlamentar de Inquérito os documentos em causa”. 

“Acho normal que perante um roubo de um computador com documentos classificados haja um alerta e que as autoridades atuem em conformidades”, reitera, embora admita que a “credibilidade” do governo foi “afetada”.

António Costa diz que não foi informado, “nem tinha de ser informado” e que “ninguém no Governo deu ordens ao SIS”. “O que houve foi um alerta relativamente ao roubo de um computador onde havia informação classificada cada. Eu não dei nem nenhum membro do governo deu qualquer ordem ao SIS”.

A resposta do primeiro-ministro surge horas depois de o Presidente da República ter dado a entender que os bons resultados económicos do Executivo podem não ser suficientes para manter o Governo, passando a bola para António Costa, tal como já tinha feito em janeiro, aquando da nomeação de João Galamba como sucessor de Pedro Nuno Santos. E surge também depois das críticas, tanto da esquerda como da direita, da chamada do SIS.

João Galamba e Frederico Pinheiro protagonizam aquele que é o mais recente caso polémico dentro do Governo, com o agora ex-adjunto a ser acusado de agredir três assessoras no Ministério e a acusar o próprio ministro de o instar a mentir à Comissão de Inquérito à Gestão da TAP.

Este recente escândalo tem sido alvo de críticas de todos os partidos e até mesmo de dentro do PS, com Carlos César, presidente do PS, em entrevista ao Público, a pedir um “refrescamento” do Governo e a dizer que António Costa deve avaliar ministério a ministério e “ir convocando outras pessoas para a atividade no Governo”.

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