Gouveia e Melo critica resposta do Estado às tempestades e pede exoneração da ministra da Administração Interna

10 fev, 07:53
O candidato às eleições presidenciais, Henrique Gouveia e Melo (C), durante um contacto com a população, em Guimarães, 09 de janeiro de 2026. Os portugueses elegem o novo Presidente da República em 18 de janeiro. JOSÉ SENA GOULÃO/ LUSA

REVISTA DE IMPRENSA || Antigo candidato presidencial propõe ainda uma reforma profunda da Proteção Civil que "deve ser fortemente profissionalizada, liberta de clientelas políticas e verdadeiramente capacitada".

Gouveia e Melo criticou a resposta do Estado às tempestades e pediu a exoneração da ministra da Administração Interna num artigo de opinião publicado no Público.

"O primeiro-ministro deve refletir se a ministra da Administração Interna tem condições para permanecer no lugar. Parecer-me-ia adequado que a ministra pedisse, por sua iniciativa, a exoneração", escreve.

No artigo, o antigo candidato presidencial acusa o Governo de falhar repetidamente na prevenção, preparação e resposta a crises, defendendo que Portugal continua preso a um “estado de improviso”.

"É isso que tem falhado repetidamente: falhou no passado, com os incêndios; e falha agora, neste ciclo de tempestades. A responsabilidade última pela prevenção, mitigação e recuperação é coletiva: pertence a todos nós — cidadãos, instituições, empresas e Estado. Mas a responsabilidade pela liderança é, inequivocamente, do Governo".

Gouveia e Melo aponta falhas cíclicas no planeamento, nos alertas à população, na comunicação do risco, na prontidão operacional e, sobretudo, na liderança política. No terreno, escreve, as populações sentem abandono e descrença no poder político.

"Já aconteceu no passado. Vi isto em Pedrógão, em 2017. E acontecerá de novo, se nada fizermos para sair deste ciclo — um ciclo alimentado por desorganização, desresponsabilização e, no fim, algum cinismo. Responsabilidade política: sem consequências? O Estado falhou. E o Governo é, perante os cidadãos, responsável pela resposta do Estado. Terá, necessariamente, de tirar consequências políticas do que aconteceu. Falhou na organização da resposta, no tempo da resposta, na inexistência de uma cadeia verdadeira de comando, controlo, coordenação e comunicação. E falhou, acima de tudo, na liderança que se esperava e era necessária". 

Gouveia e Melo propõe ainda uma reforma profunda da Proteção Civil que "deve ser fortemente profissionalizada, liberta de clientelas políticas e verdadeiramente capacitada". 

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