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Gouveia e Melo deixou na task force da covid-19 um "relatório pormenorizado" sobre o que era preciso mudar. Agora desconfia que "ninguém o leu"

21 mai, 06:30
Henrique Gouveia e Melo (José Sena Goulão/Lusa)
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Não foi só Portugal, mas também o mundo. Henrique Gouveia e Melo teme que ninguém tenha aprendido com o que se passou e olha com preocupação para "a coisa mais perigosa desse esquecimento"

Henrique Gouveia e Melo assumiu a campanha de vacinação contra a covid-19 quando as coisas não estavam a correr propriamente bem. Chegado do anonimato, o então vice-almirante acabou por sair por cima da situação, deixando o cargo com a sensação clara de um trabalho bem feito em colocar o país na rota certa.

Olhando seis anos para trás, o ex-chefe do Estado Maior da Armada sugeriu, em entrevista à CNN Portugal, que há coisas que pioraram desde então.

“Deixei um relatório pormenorizado. Desconfio que ninguém o leu”, começou por atirar o novo comentador da CNN Portugal, que a partir de junho estará todas as quartas-feiras na antena e no digital.

Sem se alargar muito sobre o que pode significar esse esquecimento ou sobre quem é o esquecido, Henrique Gouveia e Melo entende que o próprio mundo “está-se a esquecer das lições da covid-19”.

Palavras que vão diretamente para “a coisa mais perigosa desse esquecimento”, que passa pelo crescimento de uma “onda antivacinas” que é particularmente visível em países como os Estados Unidos.

De acordo com o site Our World in Data, o ano de 2026 ameaça ser aquele que tem mais diagnósticos de sarampo nos Estados Unidos em mais de 30 anos. A clara quebra na taxa de vacinação já elevou o número de casos confirmados este ano para quase dois mil, sendo que até dezembro devem ser superados os 2.288 registados em 2025, o ano com mais casos desde 1992.

Mas Henrique Gouveia e Melo entende que não é apenas para países como os Estados Unidos que devemos olhar. Devemos antes começar por dentro: “mesmo em Portugal, onde as vacinas eram aceites quase de forma universal, há agora quem ache que as vacinas são perigosas”.

"Num dia em que haja uma nova pandemia, este movimento antivacinas, se for muito forte, vai ser um problema sério", antevê.

Voltando ao que deixou feito na task force de vacinação contra a covid-19, também aí há lições que não entraram: "lembro-me de a task force ter deixado um relatório pormenorizado de quais foram os planos iniciais, o que é que tivemos de mudar, o que é que tivemos de fazer. Desconfio que ninguém leu, que está algures numa gaveta", lamenta.

E como acha que ninguém aprendeu nada, Henrique Gouveia e Melo teme que se houver uma nova pandemia "vamos ter de improvisar outra vez".

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