Trovoada e granizo: houve um "fenómeno extremo" no norte de Portugal que "poderia ter sido muito mais grave"

CNN Portugal , MMC
11 jun 2025, 18:23
Trovoada (EPA)

O tempo esteve estranho no feriado, mas houve zonas onde foi ainda pior, nomeadamente com "forte concentração de descargas elétricas e queda de granizo com potencial destrutivo"

Na noite da última terça-feira, um "fenómeno extremo" de alta intensidade surpreendeu os moradores de Matosinhos, em particular “na zona de Leça da Palmeira”, com “trovoadas intensas e queda de granizo de grandes dimensões”. A origem do fenómeno está relacionada com uma depressão em altitude, tecnicamente designada por “gota fria” ou “cut off, como é conhecida na gíria meteorológica”, explica à CNN Portugal a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) Maria João Frada.

Segundo a especialista, tratou-se de “uma bolsa de ar frio em altitude, deslocando-se de sul para norte ao longo da costa continental, que encontrou à superfície massas de ar ainda quentes e muito húmidas com origem tropical”. Esta combinação “criou condições perfeitas” para a “formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical” que acabaram por dar origem a trovoadas intensas e à queda de saraiva - mais conhecida por granizo.

O fenómeno, embora geograficamente concentrado, teve uma intensidade significativa. De acordo com a meteorologista, “registou-se uma forte concentração de descargas elétricas e queda de granizo com potencial destrutivo”.

Maria João Frada sublinhou ainda que, “se o trajeto da depressão tivesse sido mais para o interior da Península Ibérica, o cenário poderia ter sido muito mais grave”, com impactos em diversas regiões do norte e centro do país, com “possíveis danos em infraestruturas colheitas e riscos para segurança das populações”.

As rajadas convectivas são fortes correntes de ar descendentes, de nuvens que se formam verticalmente, como foi o caso. Ao atingir o solo, essa corrente dispersa-se, rapidamente, à superfície terrestre, provocando ventos de alta intensidade. Mas não são só rajadas descendentes que as nuvens verticais podem originar: este tipo de nuvem pode causar também descargas elétricas e granizo - como se verificou na noite de terça-feira - e, para que se formem, basta que haja calor intenso e instabilidade atmosférica - algo que marcou (e ainda marca) a meteorologia em território nacional nas últimas semanas. 

Apesar de a depressão estar agora posicionada mais a nordeste e com impacto direto reduzido, as suas consequências continuam a fazer-se sentir. Para esta quarta-feira mantêm-se previsões de “aguaceiros intensos e trovoadas isoladas” nas regiões do interior norte e centro, “embora sem previsão de granizo”.

A “vigilância meteorológica” mantém-se “ativa” e o IPMA continuará a monitorizar a evolução da situação, com “atualizações frequentes para os próximos dias”.

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