Suspensão de 20 dias para diretora de escola em Gondomar por faixa a dizer: "Estamos a dar a aula mais importante das nossas vidas"

Agência Lusa , MJC
6 jun, 15:38
Faixa na escola de Gondomar (DR)

Glória Sousa foi acusada de violação dos deveres de imparcialidade e lealdade. No entanto as suas funções "não mudam nada", pois a execução "está suspensa durante um ano"

O Ministério da Educação aplicou uma suspensão por 20 dias à diretora do Agrupamento de Escolas Júlio Dinis, em Gondomar, pela exibição de uma tarja polémica, sanção, todavia, suspensa por um ano, revelou à Lusa a docente. Segundo a professora, Glória Sousa, a notificação chegou na sexta-feira e no documento enviado pela Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares consta ainda a “sanção disciplinar acessória de cessação da comissão serviço [de diretora do agrupamento] igualmente suspensa na sua execução pelo período de um ano”.

Em causa está a exibição, desde fevereiro de 2023, de uma tarja negra na qual se lê “Estamos a dar a aula mais importante das nossas vidas” exposta na escola EB 2,3 Júlio Dinis, distrito do Porto, facto que gerou em novembro um processo disciplinar à diretora. A frase é um dos lemas usados pelos professores que nos últimos anos se têm manifestado e feito greves pedindo melhores condições de trabalhos para a classe docente e em defesa da escola pública.

A diretora foi acusada de violação dos deveres de imparcialidade e lealdade, revelou em 27 de novembro à Lusa a própria.

Glória Sousa revelou que vai recorrer do desfecho do processo levantado pelo ministério.

“Não diria que estou surpreendida [com esta sanção], pois quem me levantou o processo de inquérito foi a mesma pessoa que fez o processo disciplinar. Quem mandou instaurar-me o processo disciplinar já concordava com o processo de inquérito, pelo que sendo a mesma pessoa e já prevendo o processo instrutório que eu fosse condenada, logicamente que o processo disciplinar condenou-me”, afirmou.

Glória Sousa enfatizou que, apesar das sanções, no essencial as suas funções “não mudam nada”, pois a execução “está suspensa durante um ano”.

Fonte da Associação de Pais da Escola Júlio Dinis revelou hoje à Lusa que, “mais do que tarja que até é poética”, o que “preocupa é a situação da escola: falta de obras, o chover em algumas de salas de aulas e no pavilhão, a insalubridade/maus cheiros na cantina e a falta de condições tecnológicas num equipamento que recebeu as últimas obras de fundo há mais de 10 anos”.

Em 29 de setembro, em comunicado, os professores/as e educadoras do agrupamento, composto por 11 estabelecimentos de ensino, explicaram que a tarja negra onde está escrita a frase “foi concebida, paga e colocada pelos professores do agrupamento que, em fevereiro, consideraram que deviam mostrar à comunidade, de forma explicita, que todos os dias se empenham para dar aos seus alunos o melhor de si, a aula mais importante das suas vidas”.

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