Autarca de Leiria pede mais controlo sobre empresas energéticas

19 fev, 07:34
Recuperação dos danos provocados pela tempestade Kristin em Leiria (Paulo Cunha/Lusa)

REVISTA DE IMPRENSA || Gonçalo Lopes alerta para risco económico nacional após tempestade Kristin

O presidente da Câmara Municipal de Leiria, Gonçalo Lopes, defende um reforço do controlo do Estado sobre empresas como a E-Redes, considerando que a resposta à tempestade Kristin expôs fragilidades graves na gestão de infraestruturas críticas.

"Empresas como a E-Redes — que têm um património de soberania nacional, porque a eletricidade é vital para a nossa vida — têm que ter mais regulação, mais controlo, ou têm que ser nacionais", afirma, em entrevista ao jornal Público, acrescentando que "não podemos ter esta responsabilidade toda entregue a privados sem estar devidamente controlada".

Segundo Gonçalo Lopes, os prejuízos provocados pela depressão Kristin no concelho de Leiria podem ascender a cerca de 700 milhões de euros, somando danos em habitações, empresas, serviços municipais e floresta. Segundo o presidente, só a autarquia gastou 14 milhões de euros nas operações de limpeza e reposição de serviços mínimos.

O presidente da Câmara sublinha que o problema vai além da escala local. "Se o efeito contágio do que aconteceu com a Kristin neste território não for controlado já, podemos ter um grave problema para a economia nacional", alertou, lembrando que Leiria concentra sectores exportadores e indústria de ponta. "Se eles ficam parados, vai-se sentir no país."

Gonçalo Lopes critica ainda a resposta das empresas do setor elétrico, defendendo que “têm que ser apuradas as responsabilidades da E-Redes” e que os prejuízos causados “têm que ser devidamente ressarcidos”. Para o autarca, Portugal “abdicou de parte da sua soberania na energia” e isso tornou-se uma fragilidade do Estado.

O presidente da Câmara defende também uma reformulação da Proteção Civil, alertando que o país enfrenta novos riscos, para além dos incêndios florestais, e que “a energia é fundamental para nós funcionarmos”. Caso contrário, conclui, o país continuará vulnerável a fenómenos extremos que já não são excecionais.

País

Mais País