Treinador português já foi despedir-se dos jogadores e já falou com advogado para entrar com pedido de rescisão unilateral
Gonçalo Feio foi este domingo agredido por um vereador da câmara municipal de Radom, na Polónia, após a derrota em casa do Radom Radomiak, por 1-0, frente ao GKS Katowice.
Tudo aconteceu no final da partida, quando Gonçalo Feio se dirigia para o seu gabinete.
O treinador português viu o jogo na bancada, por estar a cumprir uma suspensão de cinco jogos, na sequência de uma expulsão. No caminho para o seu gabinete, acompanhado da esposa, o técnico cruzou-se com um vereador do partido de extrema direita, que tem funções no clube e que é também o político com o pelouro da manutenção do relvado do estádio municipal, onde joga o Radomiak.
Nessa altura Gonçalo Feio fez um comentário sobre o estado do relvado, acusando o mau terreno de jogo de ter sido o responsável pela derrota da equipa. Já não era a primeira vez. Na quinta-feira, antes de vencer o Arka Gdynia, já tinha feito o mesmo. Depois desse comentário, seguiu caminho com a esposa para o gabinete.
Após ter passado o tempo em que está impedido de entrar em zonas técnicas, Gonçalo Feio deixou a esposa no gabinete e dirigiu-se ao balneário, para falar com os jogadores.
Quando voltou, encontrou o referido vereador à espera dele à porta do gabinete. Os dois começaram uma discussão, até que o português foi agredido com um soco, que lhe atirou os óculos ao chão. Baixou-se então para apanhar os óculos e o vereador tentou-lhe agredi-lo novamente, só não o conseguindo devido à intervenção pronta do diretor desportivo, que vinha com Gonçalo Feio.
A esposa, que estava dentro do gabinete, telefonou de imediato para a polícia, que se dirigiu ao estádio, recolheu depoimentos das testemunhas da ocorrência e acabou por levar o vereador para a esquadra.
Gonçalo Feio tomou de imediato a intenção de sair e foi comunicá-la ao presidente do Radomiak, o qual tentou demovê-lo. Já está manhã foi despedir-se dos jogadores e voltou a ouvir pedidos para ficar. Gonçalo Feio garantiu a todos que a decisão é irreversível.
Nesse sentido, também esta segunda-feira foi falar com um advogado, para entrar com um pedido de rescisão unilateral do contrato por justa causa. Nesta altura os advogados das duas partes estão a falar, de forma a chegarem a um acordo amigável. Certo é que o treinador não aceita voltar atrás na decisão, considerando que o que aconteceu foi demasiado mau, até por vir de uma pessoa com responsabilidades também no clube.
«No domingo, por volta das 17 horas, o agente de turno na sede da Polícia Municipal de Radom recebeu uma denúncia de perturbação da ordem pública na Rua Struga. Os agentes deslocaram-se ao local», confrmou, já está segunda-feira, Piotr Pokorski, da assessoria de imprensa da Polícia Municipal de Radom.
«As primeiras informações indicam que dois homens trocaram algumas palavras e que um deles, com 57 anos, terá então agredido outro de 36 anos com um soco no rosto.»