Gonçalo Feio era adjunto do treinador que é agora... adjunto dele

16 dez 2025, 00:47
Gonçalo Feio (Marek Antoni Iwanczuk/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
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Entrevista com o homem que saiu de Portugal para fazer Erasmus e se tornou um dos melhores treinadores na Polónia

Gonçalo Feio é um português mais conhecido na Polónia do que no próprio país. Saiu de Lisboa em 2012, para ir fazer seis meses de Erasmus, e nunca mais voltou. Ou antes, voltou, mas só para férias ou para visitar as pessoas de quem gosta.

Entretanto tornou-se uma figura mediática na Polónia, pelo sucesso que tem tido - ele que foi o primeiro a vencer em Inglaterra por uma equipa polaca -, mas também pela paixão que passa. Numa história cheia de estórias, há até uma troca de papéis com o antigo treinador.

 

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O Gonçalo Feio foi adjunto de um espanhol que é agora seu adjunto?

Sim, o Kiko Ramirez. Eu conheci-o no Wisla Cracóvia, quando regressei à Polónia para coordenar os escalões da academia e passados quatro meses fui chamado para ser adjunto de um novo treinador que estava a chegar. Era o Kiko Ramirez, um espanhol, e eu era adjunto dele e ao mesmo tempo era tradutor, porque ele só sabia falar espanhol. E a partir daí desenvolveu-se a nossa relação.

E como é que ele se tornou seu adjunto?

Para mim, em termos do que é a gestão de um grupo de pessoas e gestão de um balneário, ele era uma referência. Porque há dois diferentes níveis de liderança.

Quais são?

Há o primeiro nível, que é uma liderança por posição. Alguém decide que és o chefe e as pessoas fazem o que tu queres porque és o chefe. Alguém decide que tu és o professor e os alunos fazem o que tu queres porque és o professor. Alguém decide que és o treinador e os jogadores fazem o que tu queres porque és o treinador.  Mas se não saltas para um segundo nível de liderança, vais acabar por perder quem está contigo. E que segundo nível é esse? É o nível em que os jogadores não fazem o que tu queres porque és o treinador, mas sim porque acreditam em ti e querem seguir-te. Este segundo nível é fundamental e, a dar este passo, o Kiko Ramirez foi a melhor experiência que tive.

E quando é que se dá a troca de papéis?

Nós estivemos juntos no Wisla Cracóvia, depois fomos para a Grécia juntos, ainda comigo como adjunto dele. Desenvolvemos uma relação incrível e depois eu voltei para a Polónia sozinho, para o Rakow. Fiquei dois anos e meio e saí, porque senti que estava preparado e queria começar a carreira de treinador principal. No entanto, só agora no Radomiak consegui fazer essa coisa que já tinha tentado antes, que foi trazer o Kiko Ramirez para a minha equipa técnica.

Então só agora é que se deu essa hipótese de voltarem a trabalhar juntos?

Sim, mas como disse, já tinha tentado antes, porque sempre tive muito claro que queria uma pessoa na equipa técnica que tivesse um papel de mentoring, fazendo um balanço entre o que é a minha visão das coisas, dos jogadores, do estado da equipa, da motivação, e a visão dele. Alguém também com quem eu pudesse falar. Quero inspirar-me e discutir ao detalhe estas coisas e o Kiko Ramirez é a pessoa certa para isso, porque vê as coisas de forma diferente de mim e essa confrontação faz-nos crescer.

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