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Chéquia

Estes superluxuosos carros de golfe podem ser conduzidos na estrada

CNN , Jack Bantock
26 mai, 22:00
Carro de golfe da Garia

Esta empresa está desejosa para mudar a mobilidade...através de uma revolução nos carrinhos de golfe

Dos campos com azáleas do Augusta National, nos Estados Unidos da América, ao deslumbrante farol de Turnberry na Escócia, o golfe é conhecido pela sua beleza natural. O mesmo não se pode dizer, contudo, do principal meio de transporte desta modalidade.

E é por isso que uma empresa dinamarquesa definiu como sua missão trazer arte para os carrinhos de golfe.

A Garia, com sede em Copenhaga, descreve-se como “a primeira e única” marca de automóveis de golfe e de lazer do “mundo” (sim, de automóveis, não de carrinhos), com o objetivo de transformar o tradicional carrinho de golfe e ambições que vão muito para lá dos limites de um campo com 18 buracos.

Esses objetivos pareciam muitos distantes em 2005, quando Anders Lynge, ainda na faculdade de design, conheceu Soren Bak Hansen durante um estágio numa empresa automóvel. Pouco tempo depois, e ao repararem nesta lacuna no mercado, a dupla fundou a Garia.

“Há 18 anos, no que dizia respeito aos carrinhos de golfe, pareciam todos iguais. Não havia nenhum produto de alta qualidade por aí”, conta Lynge à CNN.

“Se vivesse numa comunidade sofisticada, habituada à alta qualidade - pagando centenas de milhares de dólares em subscrições de serviços, com uma casa de 10 milhões, ou seja lá o que for – notava-se que todo o estilo de vida dessas pessoas, dos seus carros às suas roupas e relógios, era super personalizado”.

“Achámos estranho que todos tivessem o mesmo tipo de carrinhos de golfe… Então, a ideia por trás da Garia era, basicamente, dizer ‘Como podemos apresentar um produto que responda ao estilo de vida destas pessoas, que tenha o mesmo tipo de qualidade a que estão acostumadas em todos os outros produtos enchem a vida delas?”

“Isso mudou o nosso foco, para acabarmos a dizer ‘Bora, vamos lá fazer isto: o melhor carro de golfe”.

As campanhas de marketing da Garia concentram-se na sua base de clientes ricos (Garia)

Reinventar a(s) roda(s)

Para alcançar o objetivo, era mais fácil falar do que fazer. A equipa estava encarregue, literalmente, de reinventar a roda, o que - como remata Lynge - é uma missão pouco atrativa.

Há várias razões para a uniformização do formato tradicional dos carrinhos de golfe, com um formato estreito e vertical, explica Lynge. O requisito universal de caber nos campos de golfe, incluindo os seus trilhos estreitos - com a necessidade de fazer curvas de 180 graus em becos estreitos -limita a criatividade do design.

“É como tentar fazer uma nova bicicleta ou uma nova mota”, diz Lynge. “Está-se muito limitado do ponto de vista técnico”.

“É a pior forma que se pode ter - não parece muito dinâmica. A pessoa quer algo com o formato de um Lamborghini - muito baixo e largo -, mas o carrinho de golfe é o extremo oposto”.

Tiger Woods conduz um carrinho de golfe tradicional num torneio em 2005 (Jeff Gross/Getty Images)

Ainda assim, apareceram soluções: aumentar a distância entre os eixos e a cabine; jantes de liga leve de 12 polegadas nunca antes vistas, que substituíram a solução tradicional; e uma suspensão frontal com braços duplos – comum em carros desportivos – para aumentar a capacidade de fazer manobras.

Os veículos da Garia podem parecer maiores e mais “musculados” do que um carrinho de golfe comum. Contudo, as proporções são as mesmas do formato padrão. É apenas um “truque” visual – e está longe de ser o único.

Uma caixa de arrumação escondida atrás do assento serve para levantar a linha da cintura e reduz o espaço da cabine, para dar uma sensação mais semelhante à de estar num carro. Por sua vez, as linhas do acento e as rodas nas extremidades ajudam a aproximar o veículo do chão.

Lynge jogou, de uma forma intensa, com os espaços positivos e negativos, inspirando-se no modelo Porsche 911 para definir formas convexas e côncavas em todo o carro. Isso transforma o armazenamento num “pesadelo”. Contudo, os ganhos visuais acabam por compensar, diz Lynge.

Os veículos da Garia são desenhados para aparecer maiores do que os carrinhos de golfe tradicionais (Garia)

Companhia de elite

Na realidade, é raro que dois veículos da Garia sejam exatamente iguais.

Ao utilizarem um programa que permite a personalização, inspirado na forma como a Nike permite personalizar as sapatilhas, os potenciais compradores podem escolher, a dedo, todos os elementos do seu veículo; desde a cor da carroçaria e do tejadilho – 44 opções disponíveis e outras tantas em desenvolvimento –, até às rodas, passando pelas características internas como um minibar ou um suporte para copos. Há milhões de combinações possíveis, insiste Lynge.

A empresa alemã de personalização de carros de luxo Mansory, que trabalha com marcas como a Bentley ou a Lamborghini, disponibiliza uma linha de acessórios. E até um carro feito totalmente em fibra de carbono.

Outras colaborações incluem a Kussmaul, fornecedora da alemã Bugatti, com quem a Garia fez uma parceria para construir uma edição especial, com um único exemplar: um carro cromado, capaz de acelerar dos 0 aos 40 quilómetros por hora em menos de dois segundos.

Outra parceria envolveu a Mercedes, com quem Lynge entrou em contacto pela primeira vez depois de ter vencido uma competição promovida pela gigante automóvel para desenhar um carrinho de golfe. Lynge encarou a cerimónia de entrega de prémios como uma oportunidade para apresentar o sonho que havia de realizar em 2016 – o carro de golfe da Garia inspirado na Mercedes-Benz Style.

Vendido por pouco menos de 80 mil euros, o carro totalmente em fibra de carbono tinha o dobro da potência e da duração da bateria quando comparado com o típico Garia, atingindo velocidades de 69 quilómetros por hora.

“Muito caro… superexclusivo, mas também o carro de golfe mais fixe que alguma vez verá”, classifica Lynge.

A colaboração com a Mercedes-Benz foi um sonho tornado realidade para Lynge (Garia)

Fora dos limites

A exclusividade significa também que apenas um grupo reduzido destes veículos terá sido visto nas estradas europeias.

Criar modelos que pudessem ser conduzidos na estrada sempre foi o plano para a Garia. Contudo, obter certificação não tem sido uma tarefa fácil. São necessários testes intensivos – e logo, caros – relativos à segurança e à resposta em caso de colisão para que os veículos consigam atingir este estatuto. Os requisitos variam de região para região.

Se a Europa permite velocidades maiores, os Estados Unidos aplicam um limite legal rígido de 40 quilómetros por hora para este tipo de veículos. Todavia, esse facto não desanimou Lynge, que viu a existência de comunidades de golfe nos Estados Unidos como um mercado potencialmente lucrativo para a Garia. A empresa foi vendida pelo Lars Larsen Group ao gigante americano dedicado ao golfe Club Car em 2022.

A versão básica do carro de golfe de dois lugares da Garia – sem qualquer personalização ou extras – tem um preço sugerido pelo fabricante de 14.939 euros. A versão de quatro lugares arranca nos 20.189 euros. As versões autorizadas para a estrada na Europa e nos Estados Unidos custam 18.959 euros para a versão de dois lugares e 21.219 euros para a de quatro.

Foram exigidos testes intensivos em contexto de acidente para a Garia conseguir licenças para os seus veículos circularem na estrada  (Garia)

“Sentimos que são carros muito divertidos não só para conduzir, mas também para interagir”, diz Lynge. “Não sei a percentagem exata, mas uma grande parte dos nossos carros também é comprada por pessoas que não jogam golfe. São usados nas casas de férias”.

Ao olhar para o futuro, Lynge imagina a Garia a deixar o mercado do golfe e a entrar no mercado do lazer, tornou-se “cada vez mais parecida com um carro” a cada ano que passa, construindo veículos que encaixem na mobilidade urbana.

“Se conduzir em Londres, quão rápido consegue chegar aonde precisa? Ter 69 quilómetros por hora traz muitas oportunidades, certo? Há um espaço de mercado, até porque a procura está a virar-se para veículos totalmente elétricos”, justifica.

“Não sei onde vamos parar, mas sinto que tirámos já alguns ensinamentos interessantes ao longo desta jornada, que nos colocam numa boa posição para pensar na mobilidade num sentido mais lato, mais abrangente do que apenas no golfe”.

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