Goldman Sachs dá férias ilimitadas aos seus principais banqueiros

CNN , Allison Morrow
17 mai, 10:00
Goldman Sachs [Reuters]

Guerra pelo talento e queixas quanto a excesso de trabalho levam banco de investimento a anunciar novas medidas.

A Goldman Sachs, lutando numa guerra de retenção de talentos no meio de um escrutínio à cultura de trabalho notoriamente extenuante do banco, está a implementar uma política de férias mais flexível para ajudar os funcionários a "descansar e recarregar".

Os banqueiros seniores poderão agora tirar os dias de férias que precisarem, disse a Goldman Sachs (GS) num memorando enviado a equipa, que foi partilhado com a CNN. E a partir do próximo ano, todos os funcionários "deverão tirar um mínimo de 15 dias" de afastamento do trabalho por ano.

Já os banqueiros que ainda não se tornaram sócios ou diretores gerais permanecerão com uma quota fixa de férias, mas terão dois dias extra a partir do próximo ano.

“Como empresa, estamos comprometidos em fornecer às nossas pessoas ofertas e benefícios diferenciados para apoiar o bem-estar e a resiliência”, diz o memorando.

A nova política acompanha uma tendência crescente de flexibilidade em Wall Street. Os bancos estão a competir cada vez mais com “startups”, com grandes empresas de tecnologia e com o cripto espaço para atrair jovens talentos. Em resultado disso, Wall Street está a ter de alargar o nó da gravata, literalmente, com códigos de vestuário menos rigorosos, salários e bónus mais altos e outras propostas destinadas a apresentar uma imagem mais gentil e amigável ao trabalhador.

A Goldman, em particular, tem enfrentado escrutínio sobre a sua cultura de trabalho. Há um ano, um grupo de banqueiros de primeiro ano disse aos gestores que trabalhavam 100 horas por semana, dormiam apenas cinco horas por noite e sofriam abusos no local de trabalho que estavam a afetar seriamente a sua saúde mental.

O banco respondeu na altura dizendo que levava as denúncias a sério e que iria agilizar as contratações e reforçar a aplicação das regras que visam impedir o trabalho aos sábados.

A pandemia também provocou uma mudança tectónica na cultura moderna do trabalho. Em todos os setores, os trabalhadores estão a resistir às rotinas de escritório rigorosas de segunda a sexta-feira. As empresas estão a responder com salários mais altos e maior flexibilidade – mesmo em Wall Street.

Notoriamente, o Citibank adotou um horário de trabalho híbrido e incentivou os funcionários a tirar férias para evitar esgotamentos. A CEO do Citi, Jane Fraser, que assumiu o comando há pouco mais de um ano, disse que a decisão foi tanto uma consideração ética quanto estratégica - ela está a posicionar o Citi como o gigante de Wall Street mais fixe e mais amigável, para ganhar vantagem na guerra de talentos.

As políticas de férias ilimitadas são cada vez mais populares, mas têm críticos. Algumas empresas descobriram que os trabalhadores, especialmente os mais jovens, acabam por tirar menos dias de folga do que poderiam por causa do seu desejo de provar o seu nível de compromisso. Um estudo de 2018 concluiu que os funcionários com tempo pago ilimitado tiram uma média de 13 dias de folga por ano, enquanto os que têm planos tradicionais tiram uma média de 15 dias por ano.

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