Militares da GNR que espancaram menores continuam em funções

15 out 2024, 06:58
GNR (Lusa/ Estele Silva)

REVISTA DE IMPRENSA || MP pretendia que os quatro militares da GNR que são suspeitos de sequestrar e agredir três menores que fugiram da associação Centro Jovem Tejo

Os militares da GNR que espancaram três menores em abril, em Setúbal, vão continuar em funções depois do Tribunal da Relação de Évora ter rejeitado o recurso do Ministério Público, avança o Jornal de Notícias.

De acordo com o jornal, o MP pretendia que os quatro militares da GNR que são suspeitos de sequestrar e agredir três menores que fugiram da associação Centro Jovem Tejo, em Palmela, Setúbal.

Os jovens foram localizados pelos militares durante a madrugada e, em vez de os devolver à instituição, dois dos militares terão mandado os rapazes encostar-se a um muro e agrediram-nos com bofetadas, pontapés e bastonadas.

Para além dos militares no local, um guarda que estava de férias foi alertado por uma GNR no local de que tinham apanhado os fugitivos e foi ao local, vestido à civil, e agrediu os jovens.

Só depois de várias agressões, os militares decidiram levar os jovens para a instituição, mas durante o percurso terão obrigado os três jovens a sair do carro e correr à frente do mesmo, ameaçando-os que caso parassem voltariam a ser agredidos. 

Quando os deixaram no centro, os militares avisaram os menores que deviam dizer que tinham caído para justificar as lesões.

Em tribunal, os militares ficaram em silêncio e acabaram com a medida de coação de proibição de contactos entre si e com as vítimas, tendo ainda sido colocados em postos diferenciados.

O Ministério Público - que diz que as lesões dos jovens “ultrapassaram qualquer conceito de força estritamente necessária a uma detenção” - recorreu, defendendo que havia perigo de perturbação da ordem e tranquilidade pública se invocou o perigo de continuação atividade criminosa.

“Não olham a meios para atingir os fins”, alegou o MP, mas o Tribunal da Relação de Évora não concordou.

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