Associação da GNR preocupada com mensagens racistas e xenófobas de polícias

Agência Lusa , AG
17 nov, 14:01
Unidade de Intervenção da GNR (Lusa/Tiago Petinga)

Presidente da APG pede consequências para os militares que estejam envolvidos

A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) considerou esta quinta-feira preocupante que membros da PSP e GNR publiquem mensagens racistas e xenófobas nas redes sociais e lamentou que uma investigação jornalística sugira que todos os polícias são do partido Chega.

“É preocupante todo o tipo de comentários racistas e que incitem à violência”, disse à Lusa o presidente da APG, César Nogueira, congratulando-se que a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) tenha aberto um inquérito para apurar a veracidade das publicações de militares da GNR e agentes da PSP nas redes sociais.

Para César Nogueira, os elementos das forças de segurança que emitam comentários racistas ou incentivem ao ódio “logicamente que devem ter consequências”.

“O racismo não é exclusivo das forças de segurança, é da própria sociedade e, como cidadãos, estamos inseridos na sociedade. Logicamente que é mais grave porque sendo um elemento de uma força de segurança tem a responsabilidade e deveres acrescidos e não pode fazer esse tipo de comentários”, precisou.

No entanto, o presidente da maior associação socioprofissional da GNR não acredita que sejam 591 os agentes da PSP e militares da GNR a praticarem crimes nas redes, considerando que muitas das mensagens são “desabafos devido a várias situações que vão ocorrendo” e “até por descrédito da própria justiça” e “por desconsideração”, que levam a estes “sentimentos de revolta”.

Uma reportagem de um consórcio português de jornalismo de investigação, que inclui jornalistas, advogados e académicos, mostra que as redes sociais são usadas para fazer o que a lei e os regulamentos internos proíbem, com base em mais de três mil publicações de militares da GNR e agentes da PSP, nos últimos anos.

César Nogueira disse também que não faz ideia se estes elementos das forças de segurança fazem parte do Chega ou do Movimento Zero, que entretanto foi extinto.

“Os elementos nas forças de segurança podem votar em qualquer partido, podem seguir os ideais do Chega ou de outro partido qualquer”, afirmou lamentando que as reportagens tentem dar a ideia de que todos os elementos da PSP e da GNR são do Chega, o que é um erro.

“Querem mostrar que todos os polícias são do Chega. Cada polícia e cada guarda é livre de votar em quem quiser e não são todos votantes do Chega”, frisou.

Na quarta-feira foi divulgado que a Inspeção-Geral da Administração Interna vai abrir um inquérito à veracidade das notícias que referem a publicação, por agentes das forças de Segurança, de mensagens nas redes sociais com conteúdo discriminatório e que incitam ao ódio.

Numa nota do gabinete do ministro da Administração Interna é dito que José Luís Carneiro determinou à Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) “a abertura de inquérito, imediato, para apuramento da veracidade dos indícios contidos nas notícias de hoje [quarta-feira] sobre a alegada publicação, por agentes das forças de segurança, de mensagens nas redes sociais com conteúdo discriminatório, incitadoras de ódio e violência contra determinadas pessoas”.

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