Quem são os sete militares da GNR (três deles reincidentes) que torturaram por “ódio” imigrantes em Odemira  

16 dez 2021, 21:25

O Ministério Público não tem dúvidas: "Faziam-no em manifesto uso excessivo de poder de autoridade que o cargo de militar lhes confere". Mais: "Todos os arguidos agiram com satisfação e desprezo pelos indivíduos". Quanto aos motivos, a procuradora conclui: "Ódio claramente dirigido às nacionalidades que tinham e apenas por tal facto e por saberem que, por tal circunstância, eram alvos fáceis"

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Têm entre 25 e 32 anos e três são filhos da terra, nasceram e cresceram na zona de Odemira e Vila Nova de Mil Fontes. Outros dois são naturais de Celorico de Basto, um é da Guarda e outro nasceu em Paredes.

Os sete arguidos partilham o gosto pela profissão e todos desejavam desde muito novo entrar na carreira militar na Guarda Nacional Republicana (GNR). 

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São quase todos solteiros: só o mais velho é casado.

Três destes militares foram já condenados a penas de cadeia por sequestro, ofensa à integridade física qualificada e violação de domicílio de dois cidadãos indianos num outro processo crime. Até então não tinham cadastro criminal. As suas folhas de serviço estavam limpas. Ficaram com penas suspensas que variam entre os cinco e os três anos e meio.

Estes jovens militares pertencem a meios familiares estruturados e bem integrados na sociedade, indica o relatório social que foi realizado no âmbito do processo em que os três agentes foram condenados.

Sobre o arguido a quem a acusação aponta participação em todos os episódios e autoria de vários dos vídeos, os peritos concluíram que “R.C. apresenta-se como indivíduo bem integrado, mantendo uma relação cordial com vizinhos e conhecidos”. Não eram por isso conhecidos outros “comportamentos desviantes”.

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A sua convivência social fazia-se sobretudo com colegas de trabalho, com alguns dos quais está agora impedido de contactar. É visto como um “militar competente e respeitador da hierarquia, mantendo bom relacionamento interpessoal, quer com colegas como com a população em geral, revelando apetência e motivação pelas funções que exerce”, refere ainda a relatório

Já o militar que o Ministério Público acredita que conduzia o carro enquanto um outro colega apontava uma arma à cara do imigrante, é descrito com um rapaz pacato e afetivo: “J.L. sempre foi ‘um bom filho, obediente’, afetuoso para a família e amigos, estando ‘sempre disposto a ajudar no que fosse preciso’”. Além disso, acrescenta-se, “é detentor de uma imagem social favorável, sendo considerado uma pessoa trabalhadora e respeitadora e com adequada integração social”.

 Do grupo dos três agentes já condenados noutro processo, N.L é dado como um indivíduo humilde, cordial e educado, que executava as suas atividades com empenho e responsabilidade. Quando foi ouvido, foi assertivo e cordial e disse “nunca se ter confrontado com uma situação semelhante que tem sido vivida por si e pela família com sofrimento, revolta e vergonha”.

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Os sete militares estão todos suspensos de funções e ao mesmo tempo debaixo de processo disciplinar e de averiguações por parte da Inspeção-Geral da Administração Interna e da própria GNR.  Houve quem tivesse de recorrer a apoio judiciário para poder ter advogado nomeado pelo Estado. 

Estão todos em liberdade a aguardar o desenrolar do processo.  

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