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"A fórmula da idade da reforma é consensual. Deixem-na estar". Este é o recado de Paulo Portas para Ventura

28 jun, 22:12
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Neste Global, o comentador da TVI lamenta um “erro” nacional que não pode morrer solteiro, dá conselhos para ultrapassar o impasse no Estreito de Ormuz e nota como 10 anos de Brexit impactaram o sistema político britânico

Paulo Portas recorreu a um exemplo alemão para responder à intenção do presidente do Chega, André Ventura, de baixar a idade da reforma – proposta em que tem insistido nas últimas semanas.

“Em Portugal, a fórmula da idade da reforma é consensual. Deixem-na estar. Houve aí um líder político que decidiu dizer ‘eu vou mudar isto e acabar com um consenso que tem anos e anos e anos’”, lembrou o comentador da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal no seu espaço de comentário “Global”.

Portas explicou que a Alemanha nomeou uma comissão de 13 especialistas, “de todas as orientações políticas”, que acabaram por fixar uma idade de reforma “igualzinha à portuguesa”.

“É esse o problema de estar a fazer demagogia com estes assuntos, porque se se baixa a idade da reforma enquanto aumenta a esperança de vida, vamos ter um problema de financiamento. Há muito mais anos de pensões para pagar - e ainda bem, porque as pessoas vivem mais tempo, a questão está em saber se vivem com qualidade”, argumentou Portas.

Um “erro” nacional que não pode morrer solteiro

O “Global” desta semana começou pela análise da transformação estrutural da demografia portuguesa, depois do Instituto Nacional de Estatística ter revisto a população nacional de 10,7 milhões para 11,4 milhões.

Para Paulo Portas, trata-se de “um erro estatístico que não é um erro menor”.

“Eu acho que os erros não devem morrer solteiros e que se deve averiguar porque é que esse erro foi possível do ponto de vista técnico, porque pode ter induzido os decisores políticos em alguma efabulação ou tê-los convencido de uma narrativa que não era verdadeira”, insistiu.

Uma das consequências está no facto de fazer “descer o PIB per capita”, notou.

Para solução em Ormuz é preciso “falar menos em público”

Tempo também para falar da situação no Estreito de Ormuz, com Portas a considerar que tanto EUA como Irão “erraram nesta matéria”.

“Se querem manter o ambiente de conversação, têm que rapidamente falar menos em público, reagir menos em público, não regressar a hostilidades e tentar resolver diplomaticamente as diferenças”, aconselhou.

Para Portas, há um “lado bom”: a descida do preço do petróleo, que deverá confirmar-se nos mercados.

Brexit e um sistema “desfeito”

Num momento em que se assinalam 10 anos da saída do Reino Unido da União Europeia, o comentador considerou que o Braxit “deu cabo do Partido Conservador” e que “só falta agora destruir o Partido Trabalhista”.

“O problema é que os que acham que o Brexit estava certo têm em quem os represente. Os que acham que o Brexit foi um erro não têm quem os represente, porque infelizmente a medida da coragem política no Reino Unido, como em muitos outros sítios do Ocidente, está reduzida a mínimos”, afirmou.

“O sistema político inglês, que era o mais estável, está desfeito”, reforçou.

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