No "Global", o espaço de comentário que tem aos domingos no Jornal Nacional da TVI, Paulo Portas olha para os últimos acontecimentos no Médio Oriente e não tem dúvidas: "Quanto mais se estender a guerra, mais o controlo sobre os impactos negativos na economia é difícil"
"De momento estamos num beco sem saída", diz Paulo Portas sobre o conflito no Médio Oriente, que opõe o Irão aos Estados Unidos e Israel. "Obviamente em termos de geopolítica, medindo a força militar, os EUA são incomparáveis, e portanto estão a expandir o seu domínio. Uma presidência que começou por ser isolacionista e tornou-se imperial ou expansionista. Mas os EUA cometeram um erro quase infantil - de péssimo planeamento geo-económico", sublinha o comentador. "Não esperavam que o Irão, em vez de se defender, atacasse não apenas os países do Golfo, mas sobretudo que causasse o caos nos mercados de energia, sobretudo petróleo e gás."
No "Global", o espaço de comentário que tem aos domingos no Jornal Nacional da TVI, Paulo Portas olha para os últimos acontecimentos no Médio Oriente e não tem dúvidas: "Quanto mais se estender a guerra, mais o controlo sobre os impactos negativos na economia é difícil".
Com o bloqueio da cicrulação no Estreito de Ormuz, os preços do petróleo e do gás dispararam. Agora, "o problema é convencerem as transportadoras marítimas a assumirem o risco político e convencerem as seguradoras. O problema não é tanto o da produção mas do transporte", explica Paulo Portas. "Pode ser que as medidas [anunciadas] amenizem, suavizem, mas um regresso à normalidade implica um grande risco. Estou convencido que só com uma forma qualquer de pausa no conflito ou de cessar-fogo é que há condições para, com o mínimo de segurança, retomar a navegação."
"Enquanto os EUA estão concentrados nesta situação em que politicamente ganham, mas economicamente perdem, Israel, que parece que comanda a coligação - é uma coisa inédita - faz o que quer no Líbano", alerta Paulo Portas.
A guerra no Irão tem um vencedor na Rússia
Mas o grande vencedor desta guerra no Médio Oriente é Vladimir Putin, presidente da Rússia. "Saiu-lhe não direi a taluda, mas uma terminação forte", comenta Portas. Putin é aliado do Irão, estará a fornecer informações logísticas sobre como atacar os americanos, o que não deixa de ser estranho sendo, como lhe chamou, 'o meu amigo Putin'."
Além disso, Putin consegue "um enorme alívio na situação económica desastrosa da Rússia". "A economia de guerra chegou aos seus limites. O facto de que a primeira decisão dos EUA para tentar resolver esta crise tenha sido exonerar durante um mês, mas renovável, as sanções às empresas russas de petróleo, diz tudo", sublinha Portas: diz tudo, antes de mais, de "ao lado de quem é que ele efetivamente está na guerra da Ucrânia".
"Putin também ganha quando as atenções mundiais se centram no Golfo e a Ucrânia fica em segundo plano", diz Paulo Portas. "E depois ele vai ter mais dinheiro e é dinheiro que ele usará na guerra contra a Ucrânia."
E tem um derrotado na América
Paulo Portas traz ao "Global" as mais recentes sondagens sobre o presidente norte-americano e as notícias não são boas para Donald Trump. Os americanos "estão convencidos que Trump se ocupa mais com o mundo e menos com a América". A desaprovação é maior ainda no que toca à economia porque os americanos estão a sentir no bolso os efeitos destes conflitos.
"É recuperável mas começa a faltar tempo, porque há eleições [midterms] em novembro", avisa Portas.
Nesta edição do "Global", Paulo Portas fala ainda das eleições locais francesas e de como podem afetar o presidente Macron. E também lança o seu olhar para Cuba: "Dá a sensação que o regime chegou praticamente ao fim, nada funciona na economia", diz. "Ontem, pela primeira vez, foi queimada uma sede do partido comunista de Cuba, no interior da ilha", exemplifica.
A terminar, recorda o político Nuno Morais sarmento, que morreu na semana passada: "Culto, inteligente, rápido, heterodoxo, amigo do seu amigo, muito bom colega de governo".