Primeiro era só para garantir o abastecimento interno da Rússia, depois já servia para alimentar os soldados. Agora há um novo passo
Foi apreendida pela Rússia em outubro de 2024, mas agora pode ter novo destino. A empresa de enlatados norte-americana Glavprodukt ficou sob a alçada do Kremlin com a justificação de que iria garantir o abastecimento da Rússia. Agora, e de acordo com os documentos analisados pela agência Reuters, a empresa tenciona expandir as suas vendas e exportar alimentos para a China e Correia do Norte.
Numa altura em que as relações entre os EUA e a Rússia parecem estar estagnadas, Washington, DC referiu que esta apreensão poderá ser mais um motivo a afetar o processo de restabelecimento entre as duas partes.
A empresa que foi fundada por Leonid Smirnov, cidadão de Los Angeles, opera na Rússia. Foi confiscada com o argumento de que seria a melhor estratégia para garantir o abastecimento interno russo, depois de todas as sanções económicas aplicadas na sequência da invasão à Ucrânia. A empresa enfrenta agora quedas nas vendas e a produção mantém-se quase igual, o que levou a que fosse preciso adotar medidas para enfrentar o excesso de oferta.
Os resultados financeiros da empresa não foram os esperados e foram decaindo de forma rápida, “passando de uma modesta rentabilidade para um prejuízo líquida mensal regular”, de acordo com a Reuters.
"Alegaram que levaram a minha empresa para garantir alimentos para a Rússia. Mas não estão a cumprir esse objetivo, essa justificação", disse Smirnov em declarações prestadas à Reuters.
A equipa de gestão da Glavprodukt, que foi nomeada pelo Estado russo, procura agora soluções, sendo que uma delas poderá ser a exportação de alimentos para novos mercados, como a Coreia do Norte e Médio Oriente.
A China é também uma opção em cima da mesa e representou cerca de 1% das vendas da Glavprodukt no ano passado. Ainda que os EUA e a China tenham alcançado no mês passado um acordo comercial, os Estados Unidos afirmaram que poderiam voltar a impor as tarifas sobre os produtos chineses em agosto.
Esta opção de nova manobra russa reflete a mudança do comércio de Moscovo, que agora procura estabelecer ligações económicas com países que não seguem as sanções impostas contra a Rússia.
Em abril, a Reuters noticiou que a Glavprodukt seria utilizada para alimentar o exército russo, no entanto, ainda não foi possível apurar a veracidade dos factos e perceber se de facto já se deu início a esse fornecimento.
O empresário Leonid Smirnov tenta agora recuperar a empresa e tem uma audiência marcada para 11 de julho no Tribunal de Arbitragem de Moscovo.
Esta não é a primeira empresa estrangeira que fica sob a alçada do Kremlin. Desde a invasão da Rússia à Ucrânia em 2022 que o governo russo já colocou 12 empresas sob a sua gestão temporária.
A cervejeira dinamarquesa Carlsberg e o produtor francês de iogurtes Danone foram alvos deste mesmo processo e os seus ativos foram comprados a preços reduzidos por amigos do Kremlin.
A Rússia justifica estes atos de apreensão de ativos ao dizer que as empresas são fortes do ponto de vista estratégico.