Camilla recebeu Gisèle Pelicot em Londres, após o lançamento do livro "Hino à vida: A vergonha tem que mudar de lado"
A rainha Camilla confessou a Gisèle Pelicot que ficou sem palavras depois de ler o livro escrito pela francesa - "Hino à vida: A vergonha tem que mudar de lado".
Num encontro que decorreu na Clarence House, residência oficial da rainha em Londres, as duas mulheres iniciaram a conversa em francês, língua que a rainha confessou não praticar à décadas, com Camilla a dizer que achava que já nada a podia chocar, mas que o caso de Pelicot a chocou.
"Conheci tantos sobreviventes de violação e abuso sexual. Nunca pensei que pudesse ficar chocada com alguma coisa, mas fiquei chocada com o seu caso - deixou-me sem palavras", afirmou a monarca, citada pela BBC, que no ano passado enviou uma carta a Pelicot a elogiar a sua "dignidade e coragem".
Na missiva, Camilla escreveu ainda que Gisèle "inspirou mulheres por todo o mundo" e "criou um legado poderoso de que irá mudar a narrativa em torno da vergonha, para sempre”. Pelicot confessou que a carta a deixou “impressionada” e está agora emoldurada no seu escritório.
No encontro, que aconteceu após o lançamento do livro num evento no Royal Festival Hall, Pelicot fez-se acompanhar pelo atual companheiro, Jean-Loup Agopian, e pela sua equipa literária e jurídica. A autora afirmou ter recebido uma força extraordinária do apoio público desde que contou a sua história.
A francesa tornou-se uma referência internacional de força e feminismo ao abdicar do direito ao anonimato e enfrentar em tribunal dezenas de homens que a violaram com o consentimento do seu então marido.
O caso chocou o mundo em 2024, quando um tribunal ouviu como Pelicot foi drogada pelo então marido, Dominique Pelicot, e violada por dezenas de homens. Após um julgamento público de 16 semanas, 50 arguidos foram condenados e Dominique Pelicot recebeu a pena máxima de 20 anos de prisão.