Francesa, de 71 anos, agradeceu a todos aqueles que a "apoiaram ao longo deste longo processo"
Gisèle Pelicot afirmou esta quinta-feira que “nunca se arrependeu” de tornar o seu nome público no julgamento que chocou França e o resto do mundo. Numa declaração à saída do tribunal após a condenação do ex-marido e de mais 50 homens por a terem violado repetidamente enquanto estava sedada e inconsciente, Pelicot agradeceu ainda todo o apoio que recebeu ao longo destes três meses e meio.
No início do julgamento, Pelicot tomou a decisão de renunciar ao anonimato. De acordo com a lei francesa, Gisèle podia ter pedido que o caso fosse julgado à porta fechada, mas disse que queria dar a conhecer os horrores do que passou para dar a outras vítimas de violência sexual a coragem de falar.
"Nunca me arrependi dessa decisão. Agora tenho fé na nossa capacidade de construir coletivamente um futuro em que mulheres e homens possam viver em harmonia, com respeito e compreensão mútua", afirmou após o julgamento, acrescentando que era com "profunda emoção" que ali estava.
Segundo a CNN, no exterior do tribunal, dezenas de ativistas juntaram-se para mostrar o seu apoio a Gisèle.
A francesa, de 71 anos, agradeceu a todos aqueles que a "apoiaram ao longo deste longo processo", assim como às associações de vítimas, aos advogados que trabalharam com ela e aos jornalistas que acompanharam o caso desde o início.
"Gostaria de expressar a minha mais profunda gratidão a todos os que me apoiaram durante este longo processo. Os vossos testemunhos comoveram-me e deram-me força para regressar todos os dias durante estes longos dias de audiências", afirmou.
Pelicot, que foi drogada e violada repetidamente por mais de 50 homens com o consentimento do marido, disse ainda que pensa "em todas as vítimas não reconhecidas" de histórias semelhantes à dela.
“Este processo tem sido extremamente difícil e, neste momento, penso em primeiro lugar nos meus três filhos: David, Caroline e Florian. Penso também em todas as outras famílias afetadas por este drama. Finalmente: penso em todas as vítimas não reconhecidas de histórias que muitas vezes se desenrolam na sombra. Quero que saibam que partilhamos a mesma luta”, acrescentou.
Dominique Pelicot, de 72 anos, foi condenado a 20 anos de prisão pelo Tribunal de Avignon, no sul de França, por violação agravada. O francês, que admitiu ter violado depois de drogar com ansiolíticos a vítima durante anos para ser violada por dezenas de desconhecidos recrutados na Internet, foi condenado com a pena máxima em França para violação, a primeira sentença do caso proferida contra 51 arguidos, com idades compreendidas entre os 27 e os 74 anos, todos acusados, a maioria por violação e alguns por agressão sexual.