Primeira-ministra italiana defende que as alterações seriam um garante de estabilidade para o governo, após anos de turbulência política no país
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, que reformar o sistema eleitoral italiano com um nova forma de representação proporcional.
A proposta consiste na criação de um “prémio de maioria” de lugares adicionais, que será atribuído à coligação política que obtiver mais votos nas eleições, permitindo-lhe governar, mesmo que não alcance a maioria absoluta, de acordo com o Financial Times (FT).
Para reivindicar o bónus de até 17,5% dos assentos no parlamento, a coligação vencedora tem de atingir um limite mínimo de 42% dos votos, caso contrário, os lugares adicionais serão distribuídos proporcionalmente. Para serem candidatos a recebê-lo, os partidos teriam também de concorrer com uma plataforma comum e chegar a acordo sobre um candidato a primeiro-ministro.
“É uma lei proporcional: quem obtiver mais votos governa”, argumenta Meloni, sublinhando que a alteração à atual legislação eleitoral “confere a quem obtiver mais votos o poder de ter uma maioria para governar durante cinco anos”.
“Isto devia ser algo com que todos podemos concordar, especialmente a esquerda”, defende a líder do governo.
Mas ao contrário do que esperava Meloni, a oposição italiana acusa a primeira-ministra de tentar garantir de forma “autoritária” a sua própria vitória nas eleições do próximo ano.
“É um plano autoritário que concentra o poder nas mãos de uma única pessoa”, afirma Marco Meloni (sem qualquer relação de parentesco com a primeira-ministra), do Partido Democrático.
A oposição já prometeu bloquear a reforma, até porque alguns aspetos da lei estão a ser classificados como “claramente inconstitucionais”. “Não permitiremos que a lei eleitoral seja aprovada”, sublinha a líder daquele partido, Elly Schlein.
Há quem considere ainda que a reforma proposta pelo governo de Meloni reflete um sentimento de ansiedade da governante em relação às suas hipóteses de ser reeleita no ato eleitoral do próximo ano.
“Alterar uma lei eleitoral é sempre um sinal de fraqueza. Se é preciso alterar as regras para ganhar, isso significa que não se sente muito seguro quanto à possibilidade de vencer uma eleição”, considera Lorenzo Castellani, politólogo da Universidade Luiss de Roma.
De resto, Meloni defende que as alterações seriam um garante de estabilidade para o governo, após anos de turbulência política. “Hoje somos vistos como uma âncora de estabilidade na Europa; ontem éramos uma Itália instável numa Europa mais estável. Certamente não quero que a Itália volte a ser instável”, sublinhou a primeira-ministra num fórum público na terça-feira.
