Fraude, burla e branqueamento. Quem é César Boaventura?

15 dez 2021, 21:00
César Boaventura: "Enviam-me fotos com árbitros a dizer que controlam tudo"
César Boaventura: "Enviam-me fotos com árbitros a dizer que controlam tudo"

O empresário começou a agenciar jogadores de futebol em 2014, com a criação da empresa GIC Career Management. Nélson Semedo e o guarda-redes Mika foram alguns dos atletas representados

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O agente desportivo César Boaventura voltou a estar debaixo dos holofotes mediáticos esta quarta-feira, novamente por suspeitas de crimes de cariz económico-financeiro.

O empresário foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) parece estar mais uma vez envolvido em crimes de fraude fiscal, burla qualificada, falsificação informática e branqueamento de capitais, num processo que não está relacionado diretamente com nenhum clube de futebol nacional.

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O nome Boaventura já esteve ligado às operações “Cashball”, “Mala Ciao” e agora ressurge na “Malapata”. Em 2019, após suspeitas de ter aliciado os antigos jogadores do Rio Ave Lionn e Cássio (operação "Mala Ciao2) antes de um jogo com o Benfica, César Boaventura esteve no programa da TVI24 Prolongamento, onde explicou que estava a ser vítima de uma “montagem” e a sentir-se “difamado”.

“Eu nunca fiz nada. Eu levo uma vida normal. Há aqui uma colagem, desde há dois anos, do César Boaventura ao Benfica. Tentam fazer essa colagem, mas como o César Boaventura trabalha com o Benfica, também trabalham vários outros agentes”, referiu.

 

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Mas, quem é César Boaventura?

César Boaventura tem 42 anos e é natural de Viana do Castelo. Filho de um empresário do setor da construção civil, começou a carreira no ramo imobiliário.

“Acabei o 12º ano e fui trabalhar. (…) No primeiro negócio, dei um sinal de 1500 euros por um terreno que custava 40 mil e vendi-o, duas semanas depois, por 75 mil", contou em entrevista ao Jornal de Notícias em 2018.

O gosto pelo desporto rei começou logo na infância, Boaventura foi guarda-redes na formação do Vila Fria, de Viana do Castelo, até ao escalão de juvenis.

Início do agenciamento de jogadores

Só em 2014 regressou ao mundo do futebol, nesta vez na condição de agente desportivo. César Boaventura e outros dois amigos criaram a GIC Career Management, uma empresa especializada no agenciamento e no mercado de jogadores de futebol.

“Surgiu da união de dois amigos de longa data, que falavam constantemente sobre futebol, com paixão, e que decidiu avançar num projeto que só pode ter sucesso”, explicou ao jornal Record em 2014.

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Com Boaventura no cargo de diretor executivo, em apenas oito meses a GIC já representava mais de 40 atletas. O próprio explicava então que a “maior aposta” passava por apostar em “jogadores de formação e no seu acompanhamento pessoal”.

As joias iniciais da GIC foram atletas como Nélson Semedo, ex-jogador do Benfica que acabou por rumar a Barcelona, e o avançado cabo-verdiano Mailó Cruz, que acabou por não vingar.

Ao longo dos anos, a empresa viria a agenciar nomes como o guarda-redes Mika, que passou por Benfica e Boavista, Andrés Madrid, jogador já reformado que atuou pelo FC Porto e Sp. Braga, ou Facundo Ferreyra, uma das contratações de Jorge Jesus para as águias no verão de 2018.

Crimes de Boaventura na Operação "Malapata"

Boaventura, ligado a várias transferências do Benfica e Sporting, foi detido no âmbito da operação “Malapata”. Foram ainda realizadas buscas nos estádios da Luz e Alvalade com o objetivo de localizar contratos de jogadores da formação ligados ao agente desportivo. O Sporting já revelou que há apenas um atleta do clube nessa situação.

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A CNN Portugal sabe que existem outros dois detidos no processo, um deles é um empresário do ramo metalúrgico. Os suspeitos teriam alegadamente uma atividade comercial de sociedades falsas e ofereciam o serviço de branqueamento de capitais aos clientes.

Através de comunicado, a PJ explica que foram efetuadas 28 buscas domiciliárias e não domiciliárias nos concelhos de Barcelos, Braga, Esposende, Trofa, Vila Nova de Famalicão, Funchal, Benavente e Lisboa. Tendo sido apreendidos documentos, viaturas e material informático.

A investigação identificou até ao momento movimentos de mais de 70 milhões de euros e esta é apenas uma estimativa parcial.

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