Rogério Matias à espera do F.C. Porto: «O Boavista também perdeu em Guimarães»

4 dez 2001, 18:07

Recordações de um golo e de um... autogolo O defesa do Vitória reconhece no adversário uma rara inspiração. Lembra o empate da época passada e crê que, desta vez, é possível vencer.

Na última época, o defesa-esquerdo Rogério Matias vinha realizando um campeonato irregular, até que o F.C. Porto foi a Guimarães, libertá-lo das amarras que o prendiam, insistentemente, às más exibições. O jogo desenrolava-se e era um espelho fiel do seu percurso. Estava a cotar-se a um bom nível, mas de repente, silenciou o estádio, marcando...na própria baliza. Esmoreceu, olhou para o céu, incrédulo com a partida que os deuses lhe voltavam a pregar. Corou, empalideceu, mas voltou a correr e acreditar que era possível limpar a imagem. Surgiu à entrada da área e aplicou um pontapé-arte na bola que só parou no fundo da baliza portista. «Contra tudo marquei!», recorda. Os minhotos empataram (2-2), mas a partir desse momento, Rogério ganhou confiança e fintou os sentidos negativos.  

Esta época parecia condenada a um sabático jejum, já que Rabarivony lhe tomara o lugar, mas o infortúnio do francês abriu-lhe as portas da titularidade frente ao Boavista, na 8.ª jornada. Rogério Matias agarrou a oportunidade e nunca mais largou o lugar. Agora vem ai o dragão. Novamente...  

Sobre o assunto, parece desvalorizar, em primeira instância, o valor do opositor. «Vai ser um jogo difícil, como todos do campeonato», disse. Mas, no mesmo instante, desenha uma vénia ao encontro mítico entre estas duas equipas: «É um daqueles jogos que todos os jogadores gostam de jogar», sublinhou. 

Rogério Matias aponta para a força do «colectivo» azul e branco e espera um Porto de boa saúde. «É uma equipa forte, motivada e que vai em primeiro lugar. Vêm a Guimarães para disputar os três pontos. O Porto vale pelo seu todo e tem jogadores que podem desequilibrar num lance de bola parada ou num raide. Têm um colectivo bastante forte», avalia, desvalorizando o facto dos portistas jogarem a meio da semana para a Liga dos Campeões: «O Porto está habituado e preparado para estas situações. O treinador sabe gerir o plantel e acredito que vão apresentar-se em Guimarães na máxima força. A competição internacional não vai interferir em nada», crê, aproveitando para desejar boa sorte aos intervenientes portugueses na Europa do futebol. «É bom que façam pela vida e é importante para o futebol português deixar outra imagem além-fronteiras, já que tem andado aquém, para que outros clubes também possam lá chegar. Desejo boa sorte ao Porto, Boavista e Sporting». 

Capucho na peugada 

O defesa-esquerdo do Vitória recusa incidir sobre nomes, mas Capucho será, com certeza, um dos opositores que mais vezes se deverá cruzar com ele, pela colocação no terreno. «Não gosto de individualizar», frisou a propósito, para mostrar que a lição está a ser dissecada. «O Capucho é um bom jogador, mas o Deco também é bom e o Clayton está num grande momento de forma», alertou, para lembrar que o Guimarães vai engrandecer o jogo. «Estamos conscientes do nosso valor. Queremos proporcionar um bom espectáculo e somar os três pontos. Temos chances de vencer uma grande equipa como o Porto». 

O mote para o triunfo era claro: «Se jogar, vou dar o meu máximo, para que o Vitória conquiste os três pontos. Não ganhámos há três jogos, mas também não sofremos golos», registou. As últimas bolas a entrarem, de facto, na baliza vitoriana, reportam-se à passagem da nona jornada, na Madeira. Por isso, o defesa-esquerdo deposita uma fé inabalável num bom resultado diante do líder. «Estamos a trabalhar bem e queremos fazer coisas muito boas no próximo sábado. O Boavista também veio cá perder... Acho que é um bom tónico», concluiu.

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