Ventura fala em "arranjo" à direita que o exclui. Cotrim Figueiredo diz que "o Chega não é confiável"

9 jan, 22:54

O Chega e o Iniciativa Liberal lutam por uma fatia do eleitorado que pode ser comum. Ainda assim, têm discursos opostos, principalmente no que toca às questões sociais e de justiça

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Entraram no Parlamento ao mesmo tempo, têm uma ou outra proposta semelhantes, mas falam para eleitorados diferentes e isso ficou claro no debate deste domingo. João Cotrim Figueiredo assegurou que não vai apoiar uma solução governativa da qual faça parte o Chega, com André Ventura a lamentar a existência de um "arranjo à direita".

"Percebemos que há um arranjo entre PSD, CDS e IL para passar a mensagem política de que Chega não conta", disse. No entanto, Ventura mudou de estratégia para uma mais flexível. Se o partido conseguir a 30 de janeiro o resultado que as sondagens apontam, colocando-o como a terceira força política, o deputado único admite todos os cenários, entre eles ficar de fora de um acordo: "Agiremos consoante a nossa consciência, que é ver o programa e analisar. Admitimos tudo porque a nossa posição não é destrutiva".

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Questionado sobre o porquê de ter sido possível um acordo nos Açores com o Chega e a nível nacional isso já não ser opção, João Cotrim Figueiredo defendeu que o partido de extrema-direita "não é confiável". O líder do Iniciativa Liberal acusou o partido de Ventura de "querer prometer tudo para crescer rápido". 

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"Estou a falar com um líder de um partido cuja estratégia falhou. O Chega precisa de crescer muito depressa, custe o que custar, prometendo e votando tudo para crescer depressa, para se tornar inevitável no sistema partidário português. E o que é que acontece? Está a perder gás".

"O Chega não é confiável. Diz tudo e o seu contrário", acrescentou, dando como exemplo a mudança do sentido de voto de André Ventura relativamente ao Novo Banco - em 24 horas, absteve-se, votou contra e depois a favor de uma proposta do Bloco de Esquerda para travar uma injeção de 476 milhões de euros do Fundo da Resolução.

Cotrim quer privatizar a TAP. "Só quer saber do lucro", acusa Ventura

Uma das matérias da qual os dois deputados únicos não partilham da mesma visão tem a ver com a gestão da TAP. Cotrim Figueiredo lançou o tema para cima da mesa ao mostrar fotografias de uma manifestação do Chega onde se vê uma faixa com a frase "a TAP é para todos os portugueses", apontando incoerência ao adversário, uma vez que agora defende que a companhia aérea deveria ser privatizada.

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Na resposta, Ventura disse que no partido "admitimos duas soluções", ou seja, uma TAP pública ou privada, desde que sejam assegurados "os interesses estratégicos" para "Portugal não ficar desaparecido": "Não podemos deixar que Madrid se torne o centro da Península Ibérica". Aproveitando ainda para acusar a Iniciativa Liberal de só se preocupar com os lucros. 

"A Iniciativa Liberal simplesmente não quer saber de Portugal, quer saber de lucro (...) A Iniciativa Liberal não é nem de esquerda nem de direita, é do lucro".

Mas o ataque não ficou por aqui. O líder do Chega tirou da cartola mais duas propostas dos liberais de 2019: a liberalização das drogas leves e a colocação dos estudantes do ensino superior como "devedores da totalidade do valor" que pagaram pelo curso e dos respetivos juros, num prazo máximo de 30 anos.

Em defesa, Cotrim disse apenas que continua a defender a primeira medida, mas que a segunda já não consta do programa eleitoral para 2022. E pegando justamente neste ponto, o programa eleitoral, decidiu mostrar o do Chega, que tem 14 pontos em 8 páginas, e o da Iniciativa Liberal, que tem 100 pontos e perto de 600 páginas. 

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"O que conta é o tamanho?", questionou de imediato Ventura, ao que Cotrim respondeu: "Não, é a profundidade (...) O resumo do nosso programa tem mais densidade que o programa do Chega todo. Eu já vi trabalhos do ensino secundário com mais densidade do que aquela que aqui está". 

"Os Rendeiros desta vida"

Uma das grandes bandeiras do Chega tem sido o aumento das penas para crimes graves. Mas o líder do Iniciativa Liberal não concorda, porque "está provadíssimo em todos os estudos penais que a dimensão da pena não só não dissuade nada, como não ajuda à reinserção das pessoas". 

Ventura acusou o adversário de ter votado contra a proposta do aumento da pena para crimes de corrupção e lança uma pergunta: "Porque é que votou contra a proposta do Chega que criava um período de nojo vitalício entre quem foi governante e depois vai para empresas trabalhar quando tutelou essas empresas?". 

E vai a uma segunda ronda: "A Iniciativa Liberal defendeu que a prisão preventiva tem de ter um máximo de três meses (...) Quem conhece a justiça sabe que isto é ridículo (...) Vocês querem é um país de bandalheira". 

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"Vocês é que geram os Rendeiros desta vida, porque se tivesses uma prisão preventiva cujo o máximo é de três meses, significa que o Ministério Público nem se consegue organizar. Quando começa a organizar-se, deixa fugir as pessoas". 

Duas questões que João Cotrim Figueiredo deixou sem resposta: "Eu estou a falar daquilo que me interessa falar", argumentou. 

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