Uma portuguesa ferida e outra desaparecida após tragédia na Suíça

António Guimarães | Vanessa Pereira , Atualizada às 14:48
2 jan, 14:44

Governo já confirmou a informação. Autoridades suíças falam em pelo menos 40 mortos e até já avançam com a possibilidade de acusações criminais

O chefe da polícia do cantão de Valais, Frederic Gisler, confirmou que há uma portuguesa entre os 119 feridos do trágico incêndio no bar La Constellation, na Suíça, onde deflagrou um fogo cerca de uma hora e meia depois das 00:00 da noite de Passagem de Ano.

Ao que a CNN Portugal conseguiu apurar no local, em Crans-Montana, uma das estâncias de ski mais exclusivas da Suíça, há também uma cidadã portuguesa entre os vários desaparecidos.

A mulher desaparecida e a ferida, que é de Santa Maria da Feira, estariam juntas naquele mesmo bar, onde um incêndio que deflagrou em segundos acabou por lançar o pânico sobre as cerca de 200 pessoas que ali estavam.

Entretanto, e em informação prestada à agência Lusa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou esta mesma informação: uma portuguesa está desaparecida e outra está ferida, não se sabendo a condição desta segunda mulher.

Frederic Gisler lembrou que “o destino de perto de 150 pessoas se transformou em horror”, continuando a frisar que o número de mortos se mantém nos 40, embora as autoridades italianas já tenham avançado com o número 47.

Numa conferência de imprensa que serviu para dar mais pormenores, o responsável indicou que “a tarefa mais importante” é identificar toda a gente, nomeadamente os mortos, muitos deles totalmente carbonizados.

Por agora falta ainda identificar seis dos 119 feridos, mas as autoridades já adiantaram uma lista pormenorizada das pessoas hospitalizadas: 71 suíços, 14 franceses, 11 italianos, quatro sérvios, um bósnio, um belga e um português.

A polícia suíça indicou ainda que está a colaborar de perto com os governos de vários países, incluindo o português. Decorrem ainda contactos com as autoridades de Polónia, Congo, Turquia, Roménia ou Filipinas.

O chefe da polícia criminal de Valais, Pierre-Antoine Lengen, indicou que os médicos-legistas estão a tentar trabalhar em várias frentes para acelerarem as identificações das vítimas. Entre os métodos utilizados estão os registos dentários, impressões digitais, objetos, roupas ou amostras de ADN.

Fogo começou no meio da festa

A procuradora-geral de Valais confirmou também que os primeiros indícios apontam para aquela que já tinha sido avançada como a hipótese mais credível. Fogo de artifício instalado em garrafas de champanhe ter-se-á propagado para o teto do bar, desencadeando um flashover - fenómeno em que as chamas se propagam em segundos em todo o espaço contíguo.

Beatrice Pilloud garantiu que as autoridades "não estão a poupar esforços para determinar as circunstâncias deste trágico evento".

"Parece que o fogo começou nas velas, também conhecidas como foguetes, que estavam em cima das garrafas de champanhe", acrescentou, confirmando o que também foi possível ver em vídeos amadores gravados na altura em que as chamas começaram.

"Estes foguetes chegaram demasiado perto do teto. Isso levou ao que é conhecido como incidente de flashover, em que o fogo se propaga muito rapidamente", reiterou.

Para tentarem perceber melhor o que se passou, as autoridades estão a falar com várias pessoas que estiveram no bar naquela noite. Entre as testemunhas ouvidas estão também os dois donos do bar, que são de nacionalidade francesa.

"Vamos poder concluir se há indivíduos com responsabilidade criminal por este incidente", acrescentou Beatrice Pilloud, garantindo que, caso essas pessoas estejam vivas, vai ser aberto um caso criminal por fogo por negligência, homicídio por negligência e ferimentos por negligência.

Por saber estão também as condições de segurança do local, nomeadamente a existência de uma espuma no teto que poderá ter ajudado o fogo a propagar-se ainda mais rápido. "A investigação vai focar-se nessa espuma instalada no bar e vamos tentar determinar se essa espuma era para segurança, para cumprimento de guerras e se foi ou não a causa do fogo", concluiu.

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